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Questão FC337978

[Em defesa da vida] Durante uma recepção em Nova York, conversava com alguns executivos da área financeira, quando mais um convidado se agregou ao grupo, anunciando que seu dia for

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2024

[Em defesa da vida]

 

Durante uma recepção em Nova York, conversava com alguns executivos da área financeira, quando mais um convidado se agregou ao grupo, anunciando que seu dia fora glorioso. O recém-chegado era advogado e passara a tarde trabalhando na aquisição do grupo financeiro "X": uma compra de US$ 12.5 bilhões. Ele acrescentou, com orgulho, que muito cedo só sobrarão no mundo quatro ou, no máximo, cinco bancos globais.

 

Desrespeitei as convenções do bom convívio social e interrompi o relato entusiasmado do jovem advogado, para declarar que acho essas fusões péssimas. A ideia de que sobrem só poucos enormes bancos globais me apavora e me indigna.

 

Expliquei: eu não voto em bancos, não escolho políticas financeiras nem gerentes administrativos. Meu controle (bem limitado) sobre o mundo passa pelas eleições e pelo pequeno alcance de atividades políticas locais. Ora - acrescentei, quando as forças que movem as finanças mundiais são colossos mais poderosos do que os governos nacionais, o exercício democrático fica comprometido. Que diferença faria meu voto num mundo onde quatro bancos decidem quando, como e aonde vai o capital? Com minha cédula na mão ou tomando a palavra numa associação de pais e mestres, vou ser feito de palhaço enquanto, em algum escritório de Zurique ou de Nova York, homens em quem nenhum povo votou decidem se e como a nossa comunidade receberá crédito, investimentos etc.

 

Se você perguntar para alguém: - o que é mais importante que tudo? -, a resposta provavelmente será: a vida. Nada mais justo, pois, que tenhamos algum controle sobre ela.

 

(Adaptado dé: CALLIGARIS, Contardo. Terra de ninguém. São Paulo: Publifolha, 2004, p. 97-98)

 

A ideia de que sobrem só poucos enormes bancos globais me apavora e me indigna (2º parágrafo). Essa reação negativa do autor deve-se ao fato de que, para ele,

  1. especulações vagas sobre o universo financeiro não deveriam ser elaboradas ao longo de uma recepção social.
  2. os grandes conglomerados financeiros constituem uma concorrência desleal para com os pequenos conglomerados.
  3. o poder de decisão sobre o que importa para a vida das pessoas deve passar por suas escolhas políticas e pessoais.
  4. as instituições financeiras não deveriam associar-se às regras de poder que constituem um estado nacional.
  5. as declarações de um jovem advogado mostram confiança excessiva na futura distribuição das rendas de capital.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

O autor reage com aversão porque acredita que decisões que afetam a existência e o bem-estar devem permanecer sob o controle dos cidadãos, via suas escolhas políticas e pessoais.

No texto ele afirma: "eu não voto em bancos, não escolho políticas financeiras..." e que seu "controle (bem limitado) sobre o mundo passa pelas eleições", mostrando que o exercício democrático é o meio legítimo de decidir sobre questões essenciais.

Quando as finanças se tornam colossos mais fortes que os Estados, esse controle democrático é esvaziado e, por isso, ele se sente indignado: decisões sobre crédito, investimentos e, em última instância, sobre a vida das pessoas não podem ser deixadas exclusivamente a instituições não eleitas.

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