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Questão FC337979

[Em defesa da vida] Durante uma recepção em Nova York, conversava com alguns executivos da área financeira, quando mais um convidado se agregou ao grupo, anunciando que seu dia for

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2024

[Em defesa da vida]

 

Durante uma recepção em Nova York, conversava com alguns executivos da área financeira, quando mais um convidado se agregou ao grupo, anunciando que seu dia fora glorioso. O recém-chegado era advogado e passara a tarde trabalhando na aquisição do grupo financeiro "X": uma compra de US$ 12.5 bilhões. Ele acrescentou, com orgulho, que muito cedo só sobrarão no mundo quatro ou, no máximo, cinco bancos globais.

 

Desrespeitei as convenções do bom convívio social e interrompi o relato entusiasmado do jovem advogado, para declarar que acho essas fusões péssimas. A ideia de que sobrem só poucos enormes bancos globais me apavora e me indigna.

 

Expliquei: eu não voto em bancos. não escolho políticas financeiras nem gerentes administrativos. Meu controle (bem limitado) sobre o mundo passa pelas eleições e pelo pequeno alcance de atividades políticas locais. Ora - acrescentei, quando as forças que movem as finanças mundiais são colossos mais poderosos do que os governos nacionais, o exercício democrático fica comprometido. Que diferença faria meu voto num mundo onde quatro bancos decidem quando, como e aonde vai o capital? Com minha cédula na mão ou tomando a palavra numa associação de pais e mestres, vou ser feito de palhaço enquanto, em algum escritório de Zurique ou de Nova York, homens em quem nenhum povo votou decidem se e como a nossa comunidade receberá crédito, investimentos etc.

 

Se você perguntar para alguém: - o que é mais importante que tudo? -. a resposta provavelmente será: a vida. Nada mais justo. pois. que tenhamos algum controle sobre ela.

 

(Adaptado dé: CALLIGARIS, Contardo. Terra de ninguém. São Paulo: Publifolha, 2004, p. 97-98)

 

No terceiro parágrafo, afirma-se que o exercício democrático fica comprometido quando

  1. os governos nacionais decidem investir em prioridades que não são reconhecidas pela população.
  2. se equipara a escolha política numa eleição a uma enfadonha reunião da associação de pais e mestres.
  3. os próprios bancos não têm como fazer valer suas decisões no campo dos investimentos financeiros.
  4. o poder de decisão dos políticos depende de um referendo de agentes financeiros especializados.
  5. a representação política da vontade popular não participa das decisões dos grupos financeiros globalizados.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

O terceiro parágrafo afirma que o exercício democrático fica comprometido quando a representação política da vontade popular deixa de participar dos processos decisórios centrais.

O autor explica que seu único controle legítimo é o voto, mas esse controle perde eficácia se decisões sobre crédito, investimento e alocação de capital são tomadas por grandes bancos transnacionais — agentes não eleitos e mais poderosos que governos.

Assim, quando os grandes grupos financeiros decidem quando, como e aonde vai o capital, a escolha dos cidadãos perde influência prática: a representação deixa de refletir e atender a vontade popular, inviabilizando o verdadeiro funcionamento democrático.

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