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Questão FC337982

Poema arcaico II Não faço versos porque quero mas porque o tempo dos relógios me confunde e a Insânia dos ventos me atormenta Não sei de onde vêm os versos que faço chegados na chu

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2024

Poema arcaico II


Não faço versos porque quero
mas porque o tempo dos relógios me confunde
e a Insânia dos ventos me atormenta


Não sei de onde vêm
os versos que faço
chegados na chuva
trazidos no vento


Eles me caçam
me acham
versos vadios
versos gastos
passados de mão em mão
nos tempos de todos os tempos
nas cores de canções
nas rodas de verões
versos já ditos escritos repisados
por multidão de tresloucados
poetas em suas horas incautas
versos antigos, arcaicos
perdidos na contramão das estradas
versos mortos que renascem
nas minhas mãos.

 

(CÉSAR, Ana Maria. Disponível em:

http://domingocompoesia.com.br)

 

Considerando o poema, a razão pela qual o eu lírico escreve versos é:

  1. o passatempo e a diversão resultantes do processo.
  2. o domínio do funcionamento da natureza.
  3. pressão da natureza e do tempo.
  4. o agrado à multidão de poetas.
  5. a preservação de tradições arcaicas.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

O poema deixa claro que a criação poética é resultado de uma força externa: o eu lírico afirma "Não faço versos porque quero, mas porque o tempo dos relógios me confunde e a Insânia dos ventos me atormenta". Isso indica que a escrita surge por influência do tempo e da natureza, não por escolha livre.

As imagens de versos que chegam "na chuva" e são "trazidos no vento" reforçam a ideia de pressão — algo que vem de fora e impõe-se ao sujeito. Os versos aparecem como fenômenos que o capturam e o movem.

Portanto, a razão para o eu lírico escrever é a resposta a essas forças: a confusão temporal e o tormento dos ventos funcionam como estímulos compulsórios que geram a poesia.

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