Questão FC337986
Eu sei, muito pouca gente lê nos dias de hoje. Eu sei: dentro dos poucos que leem, pouquíssimos dão valor a textos de humor. Sim, eu sei, o autor sofrer de incontinência verbal e f
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2024
Eu sei, muito pouca gente lê nos dias de hoje. Eu sei: dentro dos poucos que leem, pouquíssimos dão valor a textos de humor. Sim, eu sei, o autor sofrer de incontinência verbal e ficar lançando livros como quem cospe sementes de melancia na terra não é nada positivo para sua carreira.
Eu sei disso tudo e mais: sou um sujeito que produz material "perigoso". Ou seja, não concorro a prêmios, não sou congregado de nenhuma academia ou igrejinha, e tenho uma enorme preguiça de dar entrevistas. Pior: não tenho TikTok e nem faço ideia de como usar o celular para gravar vídeos promocionais.
Em outras palavras, eu sei quem meu 18º livro, se vender alguma coisa, não vai dar para pagar nem o revisor, quanto mais meu aluguel. Então, por que ficar insistindo no erro desde 1996, quando estreei no mundão das letras com "Aqui jaz - o livro dos epitáfios"? Masoquismo é a primeira palavra que vem à cabeça. Obsessão é a segunda. Vaidade, a terceira. Não creio, entretanto, que elas expliquem claramente o que acontece comigo - o buraco na camada de teimosia é mais embaixo.
(Adaptado de: CASTELO, Carlos. Disponível em: In: https://www.estadao.com.br)
Considerando a razão principal para continuar escrevendo, de acordo com o texto, o autor
- deseja ganhar prêmios literários e ser aceito em academias.
- espera um dia ser reconhecido por seus textos de humor.
- acredita que obsessão o a vaidade são suas principais motivações.
- possui uma profunda teimosia que o motiva a continuar escritor.
- tem esperança de que suas vendas melhorarão.
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Gabarito
D
Comentário do professor
O autor revela que continua escrevendo por uma motivação íntima e resistente: uma profunda teimosia. Ele reconhece explicitamente as dificuldades — baixa leitura, pouco apreço pelo humor, falta de prêmios, ausência de autopromoção digital e retorno financeiro insuficiente — e, mesmo assim, persiste.
Ao narrar sua trajetória desde 1996, descreve outras possíveis explicações ("masoquismo", "obsessão", "vaidade") e conclui que nenhuma delas esgota o motivo. A imagem final é direta: "o buraco na camada de teimosia é mais embaixo", indicando que a teimosia é a força central que o mantém escrevendo.
Portanto, a razão principal apresentada no texto é justamente essa resistência obstinada — a teimosia que o impele a seguir como escritor.
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