Questão FC337987
Eu sei, muito pouca gente lê nos dias de hoje. Eu sei: dentro dos poucos que leem, pouquíssimos dão valor a textos de humor. Sim, eu sei, o autor sofrer de incontinência verbal e f
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2024
Eu sei, muito pouca gente lê nos dias de hoje. Eu sei: dentro dos poucos que leem, pouquíssimos dão valor a textos de humor. Sim, eu sei, o autor sofrer de incontinência verbal e ficar lançando livros como quem cospe sementes de melancia na terra não é nada positivo para sua carreira.
Eu sei disso tudo e mais: sou um sujeito que produz material "perigoso". Ou seja, não concorro a prêmios, não sou congregado de nenhuma academia ou igrejinha, e tenho uma enorme preguiça de dar entrevistas. Pior: não tenho TikTok e nem faço ideia de como usar o celular para gravar vídeos promocionais.
Em outras palavras, eu sei quem meu 18º livro, se vender alguma coisa, não vai dar para pagar nem o revisor, quanto mais meu aluguel. Então, por que ficar insistindo no erro desde 1996, quando estreei no mundão das letras com "Aqui jaz - o livro dos epitáfios"? Masoquismo é a primeira palavra que vem à cabeça. Obsessão é a segunda. Vaidade, a terceira. Não creio, entretanto, que elas expliquem claramente o que acontece comigo - o buraco na camada de teimosia é mais embaixo.
(Adaptado de: CASTELO, Carlos. Disponível em: In: https://www.estadao.com.br)
Com base no texto, em relação ao mercado literário e à sua própria carreira, o autor
- demonstra uma atitude resignada, mas persistente literalmente.
- tem uma abordagem pragmática e locada em resultados financeiros
- mostra-se otimista quanto ao futuro das vencias de seus livros.
- prioriza o reconhecimento e a aceitação em academias literários.
- adota uma postura altamente competitiva, buscando prêmios literários.
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Gabarito
A
Comentário do professor
O autor reconhece claramente as dificuldades do mercado literário e a falta de retorno financeiro, assumindo uma atitude resignada diante dessa realidade.
Esse tom aparece quando admite que seu 18º livro "se vender alguma coisa, não vai dar para pagar nem o revisor, quanto mais meu aluguel", mostrando aceitação do insucesso econômico.
No entanto, mantém a prática de escrever e publicar desde 1996, descrevendo sua continuidade como "o buraco na camada de teimosia". Isso revela uma atitude persistente e literal: ele continua produzindo apesar das evidências contrárias.
O efeito é uma combinação de ironia e autocrítica: ele não espera grandes recompensas, mas insiste na atividade por motivação interna, não por expectativa de sucesso.
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