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Questão FC337991

Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo. História de uma praça Numa crônica antiga, intitulada “A rotina e a quimera”, Carlos Drummond de Andrade considerava o fato de

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2024

Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.

 

História de uma praça

 

Numa crônica antiga, intitulada “A rotina e a quimera”, Carlos Drummond de Andrade considerava o fato de que grandes escritores brasileiros, a começar por Machado de Assis, eram também funcionários públicos. Na lista numerosa, Drummond não incluiu a si mesmo, funcionário que foi de mais de um órgão público. A “rotina” do funcionário, outrora cercado de blocos de papéis, lápis e canetas, muitas vezes levava-o à “quimera”, ao universo da ficção e à imaginação criativa.

 

Mas há também funcionários cuja quimera é, na verdade, a pesquisa histórica. Valem-se de seu talento e de sua disposição para investigar a origem de nomes, de lugares, de fatos primordiais. Foi o que aconteceu, por exemplo, com Eliézer Rodrigues, veterano assessor de imprensa da Justiça do Trabalho do Ceará. Dedicou-se a pesquisar dados e a escrever um livro — “Praça José de Alencar - Tempos e viventes”. Já de si, o título indica o âmbito do livro.

 

O jornalista escritor resgata os primórdios dessa praça de Fortaleza, quando ainda se chamava Praça do Patrocínio, e aborda os principais acontecimentos que envolveram as edificações e pessoas que já habitaram seu entorno. O prédio da Fênix Caixeiral, a Igreja do Patrocínio, a Escola de Comércio, o Centro Médico, o Instituto de Patrimônio Histórico, o Lord Hotel, o INSS, a Associação Cearense de imprensa e a 1ª Junta de Conciliação e Julgamento de Fortaleza são algumas das instituições retratadas na obra.

 

É importante haver cronistas desse porte para que a história de um lugar e de seus personagens se mantenha viva. Políticos, militares, empresários, intelectuais, artistas, músicos, juristas, celebridades, médicos, comerciantes e cidadãos comuns são alguns dos personagens reais que envolvem as tramas retratadas. Até mesmo uma cigana e um fantasma protagonizam causos curiosos.

 

Vê-se que a “quimera” desse escritor cearense está ancorada em impressões, fatos e pessoas que ele não quis deixar esquecer. É mais que um momento da rotina: é um momento da memória pessoal e social dedicado ao lugar de afeto e de interesse público, a que dá a força de uma permanência temporal.

 

(SÁ, Herculano Perez de. Com apoio na página eletrônica https://www.trt7.jus.br. Adaptado)

 

Contextualizado nesse texto, o gênero da crônica e um atributo do cronista constituem possibilidades reais de se

  1. expandir a imaginação para muito além do que seja material ou factual.
  2. adulterar certos fatos passados em benefício de seu sentido no presente,
  3. recortar do tempo e do espaço históricos um sentido social permanente,
  4. aglutinar num texto literário memórias fictícias e imagens da vida presente.
  5. documentar com rigor a história de monumentos extintos ou desprestigiados.
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Comentário do professor

A alternativa expressa que o cronista pode recortar do tempo e do espaço históricos um sentido social permanente. Isso significa que a crônica não apenas narra fatos, mas seleciona e preserva elementos do passado que configuram a identidade coletiva.

No texto, o autor pesquisa e resgata os primórdios da praça, descrevendo edifícios, instituições e personagens: esse trabalho resume e fixa a memória local, transformando episódios dispersos em significado duradouro.

O cronista, movido pela rotina e pela quimera, alia observação factual e sensibilidade subjetiva para dar voz ao que deve permanecer. Assim, a crônica atua como instrumento de permanência temporal, tornando o passado relevante para o presente.

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