Questão FC337999
Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo. Direito natural e direito dos homens O direito natural é aquele que a natureza mesma determina a todos os homens. Educastes vos
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2024
Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.
Direito natural e direito dos homens
O direito natural é aquele que a natureza mesma determina a todos os homens. Educastes vossos filhos, ele vos deve respeito como seu pai, reconhecimento como seu benfeitor. Tendes direito sobre a terra que cultivastes com vossas proprias mãos.
O direito humano só pode ser fundado no direito da natureza, e o grande principio, o príncípio universal de um e outro, é em toda terra: “Não faças o que não gostarias que te fizessem”.
Contentam-se alguns, noutras terras, em afirmar. “Crê em mim, ou eu te odiarei; crê, ou te farei todo o mal que eu puder. Monstro, não tens a minha religiião, então não tens religião nenhuma *
O direito da intolerância é, então, absurdo e bárbaro: é o direito dos tigres, sendo no entanto bem pior, pois os tigres só se dilaceram por comida, e nós nos exterminamos por parágrafos.
(Adaptado de: VOLTAIRE. Tratado sobre a tolerância. Trad. Ana Luiza Reis Bedé. São Paulo: Martim Cererê, 2017, p. 36)
Analisando-se a relação entre os parágrafos do texto, é coerente afirmar que
- o conceito de direito presente no 1º parágrafo contesta o conceito de direito presente no 2º parágrafo.
- o que se declara entre aspas no 3º parágrafo exemplifica a intolerância a que se refere o 4º parágrafo.
- a expressão direito sobre a terra, do 1º parágrafo, ilustra um dos abusos acusados no 4º parágrafo.
- o princípio universal identificado no 2º parágrafo tem como contraponto antitético o direito da intolerância, no 4º parágrafo.
- o 2º e o 3º parágrafos ligam-se pela exemplificação dos princípios universais que devem ligar o homem à natureza.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Princípio universal refere-se ao enunciado do 2º parágrafo: "Não faças o que não gostarias que te fizessem", apresentado como fundamento comum do direito natural e do direito humano.
Já o 4º parágrafo condena o "direito da intolerância", chamando-o de absurdo e bárbaro, e o contrapõe à razão e ao respeito entre as pessoas.
Trata‑se de uma relação antitética: o princípio do 2º parágrafo exige reciprocidade e tolerância; o direito da intolerância promove violência e exclusão. Essa oposição é explícita no tom condenatório do texto.
Portanto, é coerente afirmar que o princípio universal do 2º parágrafo tem como contraponto antitético o direito da intolerância exposto no 4º parágrafo.
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