Questão FC338005
No — Isso quer dizer que como você não pode quantificar a sensação de encontrar uma face bela, essa sensação é irrelevante?
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2024
Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.
Um diálogo instrutivo
Muitos entusiastas da Inteligência Artificial (IA) continuam a insistir na venda da utopia de que as máquinas digitais não só serão capazes de simular a inteligência humana como, eventualmente, poderão superar a todos nós no nosso próprio jogo, o jogo de pensar, se comportar e viver como seres humanos. Costumo, nas minhas aulas, utilizar um diálogo hipotético entre um neurocientista (N) é um pesquisador da área de inteligência artificial (PIA) para ilustrar o abismo que separa aqueles que, como eu, acreditam ser bem-vindo o uso da tecnologia para promover a melhoria da qualidade de vida das pessoas e aqueles que trabalham apenas com o objetivo de concretizar uma distopia. Eis aqui um momento desse diálogo:
N — Como você programaria o conceito de beleza em uma máquina da IA?
PIA — Defina um conceito de beleza para mim e eu posso programá-lo.
N - Esse é o problema central. Eu não posso definir beleza — você também não pode, tampouco outro ser humano que jamais viveu e experimentou a sensação de deparar-se com a beleza.
PIA — Se você não pode defini-la de forma precisa, não posso programá-la, ela simplesmente não interessa. Ela não existe. E, como cientista computacional, não me importo com ela.
N — A sua mãe ou sua filha são bonitas?
PIA — Sim, elas são.
No — E você pode definir por quê?
PlA — Não, eu não posso. Não posso programar a minha experiência subjetiva e pessoal no meu computador. Portanto, ela não existe nem significa nada do ponto de vista científico.
No — Isso quer dizer que como você não pode quantificar a sensação de encontrar uma face bela, essa sensação é irrelevante?
PIA — Basicamente, sim! Você entendeu o meu ponto de vista.
Assustador como esse diálogo pode soar, quando milhões de pessoas vivendo nestes tempos modernos já decidiram que qualquer coisa que uma máquina não possa fazer é irrelevante para a humanidade.
(Adaptado de NICOLELIS, Miguel. O verdadeiro criador de tudo. São Paulo: Planeta, 2020, p. 1563-164)
No primeiro parágrafo, a entusiasmada utopia associada à Inteligência Artificial (IA) consistiria, para muitos, em considerar
- a expectativa de que a inteligência e a conduta humanas terão seus limites superados pela capacitação da IA.
- a tecnologia criada pela IA como uma elevação dos recursos inerentes ao cérebro humano a um patamar jamais explorado.
- as máquinas digitais como suficientemente capazes de programar cientificamente até mesmo o que seja indefinível.
- a possibilidade de que a linguagem computacional venha a potenciar o interesse humano pelos mistérios insondáveis.
- as atividades lúdicas dos homens como jogos a serem ultrapassados pela imaginação inerente às máquinas digitais.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A alternativa A é correta porque traduz, em termos precisos, a ideia central do primeiro parágrafo: a chamada utopia é a expectativa de que as máquinas digitais não só imitem, mas vençam os humanos no exercício do pensamento e do comportamento.
No trecho, o autor afirma que muitos entusiastas acreditam que as máquinas "serão capazes de simular a inteligência humana como, eventualmente, poderão superar a todos nós no nosso próprio jogo, o jogo de pensar, se comportar e viver como seres humanos".
Assim, a expressão "inteligência e conduta humanas terão seus limites superados" resume fielmente essa previsão de ultrapassagem pela IA, que o autor considera uma fantasia.
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