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Questão FC338009

Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo. [Vida a compartilhar] Um jovem amigo meu é uma pessoa exasperada e deprimida. Na semana passada, ele foi atraído por uma histór

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2024

Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.

 

[Vida a compartilhar]

 

Um jovem amigo meu é uma pessoa exasperada e deprimida. Na semana passada, ele foi atraído por uma história edificante. Uma escola americana dedicara um anfiteatro a uma professora de escola fundamental que, depois de uma longa carreira de ensino, foi paralisada por uma distrofia muscular, e seguiu ensinando. Quando perdeu a voz, passou a ensinar surdos-mudos. Na reportagem, ela estranhava a atenção e os elogios: era uma mulher em paz consigo mesma e com o mundo, sem furores caritativos ou vocações martirológicas. Sua vida parecia simplesmente normal.

 

Meu jovem amigo comentou que, se estivesse no lugar dela, já teria acabado com sua própria vida. Essa ideia, concordei, passaria por qualquer cabeça. Mas por que a professora não foi por esse caminho? O insuportável numa doença como essa, afirmou então meu interlocutor, são os limites, as impotências.

 

Observei-lhe então que há uma infinidade de coisas que não conseguimos fazer. Afinal, não sei voar, nem ficar por respirar mais que dois minutos. Com paciência condescendente, meu amigo explicou que essas são coisas que ninguém, ou quase ninguém, consegue fazer. O que dói, acrescentou, é não conseguir fazer as coisas que os outros conseguem. E declarou que, se tivesse uma invalidez grave, talvez pudesse seguir vivendo, mas só entre pessoas tão inválidas quanto ele. Conclusão da conversa: o problema não é a invalidez, o problema são os outros. Melhor dizendo, a necessidade de se comparar aos outros.

 

De todo modo, ficamos sem apurar que tipo de energia animava aquela prejudicada professora, excepcionalmente apta e disposta a só compartilhar o que tinha de positivo.

 

(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Terra de ninguém. São Paulo: Publifolha, 2004, p. 70-71)

 

A história edificante, referida no primeiro parágrafo, provocou no jovem amigo do autor uma

  1. avaliação pessoal, na qual reconheceu sua incapacidade para superar um limite seu por conta de decisões altruístas.
  2. exasperação depressiva, por conta do mau exemplo que ele viu na conduta moral da professora.
  3. reação positiva, de vez que reconheceu na atitude da professora um exemplo superior de resiliência.
  4. resposta compassiva, quando se sentiu um ardoroso admirador de quem se dispõe a sofrer pelos outros.
  5. censura discreta, ao considerar que a escolha da professora podia ser interpretada como um martírio caridoso.
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Gabarito

A

Comentário do professor

A alternativa aponta uma avaliação pessoal feita pelo jovem, e isso está expresso no trecho em que ele afirma que, se estivesse no lugar da professora, “já teria acabado com sua própria vida”.

Em seguida, ele explicita que o que lhe seria insuportável são os limites e as impotências, e reconhece que não suportaria viver numa condição assim senão entre pessoas igualmente afetadas.

Logo, o texto mostra que o jovem não elogia ou condena a professora objetivamente: faz uma reflexão sobre si mesmo, admitindo sua incapacidade de enfrentar a mesma situação e, por isso, de tomar decisões altruístas semelhantes às dela.

Portanto, a alternativa sintetiza corretamente essa autorreflexão presente no texto.

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