Questão FC338012
Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. Realidade e consciência A questão da consciência está profundamente relacionada com a noção de realidade. Mesmo que outros anim
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2024
Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
Realidade e consciência
A questão da consciência está profundamente relacionada com a noção de realidade. Mesmo que outros animais tenham algum nível de consciência e interajam ativamente com a realidade física, somos aparentemente a única espécie terrestre que tem autoconsciência e uma capacidade cognitiva suficientemente complexa para contemplar a natureza da consciência, mesmo se continuamos sem entendê-la. Em outras palavras, somos a única espécie capaz de refletir sobre a própria existência.
Existimos em um mundo que acreditamos ser real. Por “real” quero dizer um mundo que não é fabricação das nossas mentes, que tem uma existência que independe da nossa percepção. Essa crença vem da integração de estímulos oriundos “lá fora”, no mundo externo, levados ao mundo interior e lá interpretados, o mundo da nossa consciência. Com isso, vou contra a posição do idealista radical que acredita que apenas a mente existe e que a realidade "lá fora” é uma ilusão (doutrina chamada de solipsismo). A realidade "lá fora” existe, mesmo que sua natureza dependa de como a percebamos “aqui dentro”.
A dor que sentimos ao chutar uma pedra (a pedra está no caminho mesmo que a experiência da dor seja única para cada indivíduo) ou os bilhões de anos de história cósmica sem a existência de mentes (a inteligência, nossa ou qualquer outra, demora um tempo para evoluir) são, para mim, evidências suficientes de que o mundo existe independentemente da nossa presença.
Não há dúvida de que podem existir diferenças em como percebemos o mundo lá fora; alucinações são um excelente exemplo de como a nossa percepção da realidade pode ser distorcida. Mas parece claro que existe algo, uma realidade em que funcionamos, e que nossos cérebros percebem em parte através dos nossos órgãos sensoriais, nossas antenas para a realidade.
(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. A ilha do conhecimento. Rio de Janeiro: Record, 1923, p. 315-316)
Ao considerar a relação entre consciência e realidade, o autor do texto acredita que
- o que consideramos como “o real” não é um produto da nossa percepção, já que independe da ação da nossa consciência.
- o vínculo entre elas é um fenômeno natural, imposto pela carência que tem a realidade de uma consciência que a determine.
- ambas desfrutam de relativa autonomia, razão pela qual são pouco significativas as ações de uma sobre a outra.
- o que constitui “o real" não chega a ser mais do que uma projeção cognitiva de quem assim decide nomeá-lo.
- ambas são propriedades de um saber humano que se aplica ao que lhe é exterior para depois projetar-se como uma interioridade.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A alternativa afirma que o que chamamos de real não é criação da mente, pois independe da ação da nossa consciência — é exatamente a posição defendida pelo autor.
Ele define “real” como um mundo que “não é fabricação das nossas mentes” e que “tem uma existência que independe da nossa percepção”. Essa definição é a base da conclusão: a realidade existe mesmo sem sermos nós a percebê‑la.
Para sustentar a ideia, o autor apresenta evidências concretas, como a dor ao chutar uma pedra (a pedra existe independentemente da sensação individual) e os bilhões de anos de história cósmica antes do surgimento de mentes.
Portanto, embora reconheça que nossa percepção possa distorcer a experiência (alucinações) e moldar a natureza com que apreendemos o mundo, o autor mantém que a existência do “lá fora” é autônoma em relação à consciência.
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