Questão FC338013
Como não há linha reta contínua na vida, virar esquinas é obrigatório. A cada momento, uma decisão a tomar: para este lado ou para o outro? E numa encruzilhada de múltiplas vias tu
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2024
Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
Virando esquinas
Como não há linha reta contínua na vida, virar esquinas é obrigatório. A cada momento, uma decisão a tomar: para este lado ou para o outro? E numa encruzilhada de múltiplas vias tudo se complica ainda mais: virar pra onde?
Uma vez tomada a decisão, logo surge outra esquina, a necessidade de uma nova decisão. E assim vamos costurando nosso caminho, de esquina em esquina, por vezes escolhendo, outras vezes sendo tocados pela rajada de um vento súbito, ou por empurrão de gente, ou um grito de urgência, um imprevisto maroto, um tropeção na pedra.
Mas sabe o que faz falta, mesmo, nessa trajetória de tantos cotovelos e torções? É poder voltar pelo caminho e escolher esquinas descartadas. Dar-se uma nova chance. Revisar escolhas feitas.
Ah, refazer o roteiro já cumprido, nem que fosse apenas para saber o que poderia haver nas direções não tomadas. Mas quem determinou nossos roteiros implacáveis parece querer nos consolar, quando abre espaço nas ruas dos nossos sonhos mais imaginosos. Nesses sonhos, revisitamos cada esquina virada pra saber o que havia na contramão dela, estamos prontos para uma nova aventura, e aí acordamos, dando fim ao consolo.
(Tércio de Mendonça, a editar)
Valendo-se, em linguagem figurada, da imagem das “esquinas da vida”, o autor do texto representa uma ideia básica, que conceitualmente deve ser assim traduzida:
- A reorientação das escolhas feitas só é possível quando provocada por uma grande necessidade nossa.
- As escolhas que fazemos em nossa vida ocorrem dentro de um processo objetivamente irreversível.
- É bom constatar que as decisões já tomadas por nós podem ser revertidas a qualquer tempo.
- Não lamentemos as opções abertas em nossa vida, pois as escolhas dependem apenas de nossa decisão.
- Tal como nos sonhos, o que escolhemos em nossa vida é resultado do poder de nossa imaginação.
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Gabarito
B
Comentário do professor
O texto usa a imagem das “esquinas da vida” para transmitir, de forma figurada, a ideia de que nossas decisões não podem ser refeitas: há a expressão do desejo de voltar e revisar caminhos, mas o enredo aponta para a impossibilidade prática dessa revisão.
O autor apresenta claramente o contraste entre o anseio de retornar — “É poder voltar pelo caminho e escolher esquinas descartadas” — e a realidade que impõe limites: os nossos trajetos são descritos como “roteiros implacáveis” e a volta só ocorre no âmbito dos “sonhos”.
Daí se infere, corretamente, que as escolhas ocorrem num processo irreversível: podemos alterar o percurso a partir do ponto em que estamos, imaginar alternativas, mas não desfazer literalmente as decisões já tomadas.
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