Questão FC338016
Atenção: Leia o texto para responder à questão. Chamamos nossa espécie de Homo sapiens - o humano sábio. Mas é discutível até que ponto temos feito jus ao nome. Nos últimos 100 mil
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2024
Atenção: Leia o texto para responder à questão.
Chamamos nossa espécie de Homo sapiens - o humano sábio. Mas é discutível até que ponto temos feito jus ao nome.
Nos últimos 100 mil anos, nós, sapiens, certamente acumulamos um poder enorme. A mera listagem de todas as nossas descobertas, invenções e conquistas ocuparia muitos volumes. Mas poder não é sabedoria e, depois de 100 mil anos de descobertas, invenções e conquistas, a humanidade se arrastou para uma crise existencial. Estamos à beira da catástrofe ambiental, causada pelo mau uso do nosso próprio poder. Também estamos criando novas tecnologias, como a IA (Inteligência Artificial), que podem nos escravizar ou nos aniquilar. Mas em vez de a nossa espécie se unir para lidar com esses grandes problemas existenciais, as tensões internacionais estão aumentando, a cooperação global vem se tornando mais difícil, os países estão ampliando seus arsenais de aniquilação total, e não parece impossível que uma nova guerra mundial aconteça.
Apesar da espantosa quantidade de informação à nossa disposição, somos tão suscetíveis à fantasia e à ilusão quanto nossos ancestrais antigos. Por que somos tão bons em acumular mais informação e poder, mas muito menos hábeis em adquirir sabedoria? Muitas tradições ao longo da história acreditaram que temos alguma imperfeição fatal que desperta a tentação de buscar poderes com que não sabemos lidar.
(HARARI, Yuval. Nexus. Companhia das Letras, edição digital. Adaptado)
No texto, a reiterada referência a descobertas, invenções e conquistas alicerça a ideia do autor de que,
- a seu próprio tempo, elas apontarão para as soluções da crise climática.
- para apreendê-las, é preciso compreender os eventos que as precederam.
- por causa delas, a inteligência artificial irá sanar dúvidas humanas existenciais.
- a despeito delas, a existência humana está sob ameaça.
- como consequência delas, o homo sapiens se fez merecedor desta alcunha.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa a despeito delas está correta porque o autor contrapõe repetidas vezes a lista de "descobertas, invenções e conquistas" com a ideia de que tal acúmulo de poder não trouxe sabedoria suficiente.
Ele afirma que "poder não é sabedoria" e fala em "crise existencial", evidenciando que, mesmo com tantos feitos, há um problema fundamental.
O texto aponta consequências concretas: risco de "catástrofe ambiental", tecnologias que podem "escravizar ou nos aniquilar", aumento de "tensões internacionais" e arsenais de destruição — elementos que indicam perigo para a espécie.
Logo, a repetição das conquistas serve exatamente para enfatizar o contraste: a existência humana, sob ameaça, persiste apesar de todo esse progresso.
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