Questão FC338023
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. Poesia e ciência É comum se dizer que poucas atividades criativas são tão antagônicas quanto a poesia e a ciência. Enq
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2024
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
Poesia e ciência
É comum se dizer que poucas atividades criativas são tão antagônicas quanto a poesia e a ciência. Enquanto uma expressa uma visão subjetiva e emocional do mundo, a outra expressa uma visão universal e racional. Enquanto uma é produto de inspiração e lirismo, a outra o é de dedução e análise. A obra de certos poetas, no entanto, além de extremamente técnica, mostra uma profunda apreciação da visão científica prevalecente na época.
Como exemplo, tenho em mente o poeta romano Lucrécio, que viveu aproximadamente 96 e 55 a.C. Em um mundo completamente dominado por religiões politeístas, baseadas em ritos pagãos, a voz de Lucrécio soa como uma verdadeira luz nas trevas, uma proclamação contra o medo criado pela ignorância e pela obediência cabe à autoridade. O poeta convida seus leitores a olhar para o mundo e seus mistérios através da razão, argumentando que esse é o único caminho para a nossa liberação. Eis um exemplo, livremente parafraseado:
“Quando a vida humana, arrastando-se pela Terra, era esmagada pelas crendices, um homem grego pela primeira vez alçou bravamente seus olhos mortais contra esses tormentos [...] Sua força era a mente, que ele usou para explorar a vasta imensidão do espaço, trazendo-nos novas do que é ou não é possível, limites ou fronteiras forjadas para sempre. As crendices, assim, foram controladas e, desde então, nós podemos alcançar as estrelas”.
Dois mil anos após serem escritos, os versos de Lucrécio ecoam com incrível modernidade. Na passagem de mais um milênio*, quando muitos sentem-se vulneráveis perante as várias profecias apocalípticas, sugiro uma nova leitura de Lucrécio, poeta da ciência e da lucidez apaixonada.
* Este texto foi publicado em 1988.
(Adaptado de GLEISER, Marcela. Retalhos cósmicos. São Paulo. Companhia das Letras, 1999, p. 21-22)
No 2º parágrafo, o nome do poeta romano Lucrécio é invocado para demonstrar que
- a cega obediência às autoridades inibe os cientistas na hora de reconhecer o encanto próprio da poesia.
- uma verdadeira luz nas trevas do mundo nem sempre dispensa o poder das religiões politeístas.
- os ritos pagãos existem para combater o medo irracional do qual nem mesmo os cientistas estão isentos.
- o caminho exclusivo para a liberação do homem só se abre quando a ciência recorre ao poder da poesia.
- a poesia pode se valer de uma iluminação racional que afugenta a ignorância e o medo.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
Errado
Comentário do professor
A alternativa está correta porque o 2º parágrafo apresenta Lucrécio como poeta que, em meio às crendices e ao domínio religioso, recorreu à razão para combater o medo e a ignorância.
O texto afirma que “sua força era a mente” e o descreve como “uma verdadeira luz nas trevas”, imagem que relaciona poesia a uma iluminação racional capaz de esclarecer o mundo.
Assim, a ideia central é que a poesia de Lucrécio não se limita ao lirismo: ela incorpora e promove uma visão científica e racional, oferecendo libertação das superstições e do temor.
Portanto, a leitura do parágrafo sustenta a afirmação de que a poesia pode valer‑se de uma iluminação racional que afugenta a ignorância e o medo.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em