Questão FC338025
Atencão: Para responder à questão leia o poema de Fausto Cardoso. O Poeta Quando surges sonhando e tua lira canta, Inveja abrindo vai, como esfaimado corvo, As asas negras pelo abo
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2024
Atencão: Para responder à questão leia o poema de Fausto Cardoso.
O Poeta
Quando surges sonhando e tua lira canta,
Inveja abrindo vai, como esfaimado corvo,
As asas negras pelo abobadado e torvo
Horizonte, em que o Deus da rima se levanta!...
Reatas a obra a imortal da caravana santa
Dos teus mortos irmãos, vencendo o mesmo estorvo,
Tragando o mesmo fel, haurindo o mesmo SONO
Do veneno letal, que aos cobardes quebranta!
Ornas a Terra e a Terra, ingrata, te apedreja,
Porque o Infinito tens na mente e os pões no verso,
A sustentar, cantando, intérmina peleja.
É um louco! - brada o mundo em tua luz imerso,
Mas segue o raio astral, que pelo Azul dardeja
Doirando as almas como o sol doira o Universo!
(Adaptado de: CARDOSO, Fausto. Esparsos e inéditos. v. I - Poesia. Org. de Jackson da Silva Lima. Aracaju: Secretaria de Educação, Subsecretaria de Cultura, Governo do Estado de Sergipe, 1980)
As metáforas do Deus da rima e do raio astral têm a função de
- exaltar a dimensão transcendental da criação poética.
- criticar a visão religiosa do mundo e da arte.
- representar a superioridade do poeta sobre os outros homens.
- simbolizar o conflito entre a razão e a emoção no processo criativo.
- mostrar que a poesia é efêmera e incapaz de novas perspectivas à vida.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A metáfora "Deus da rima" personifica a poesia como força superior, conferindo-lhe uma origem quase divina. Assim, a criação poética deixa de ser ato meramente humano e torna‑se manifestação de uma potência transcendente.
O sintagma "raio astral" reforça essa leitura ao evocar luz celestial: a poesia atua como um feixe que ilumina e transforma as almas, não apenas comunica sentimentos.
No contexto do poema — com referências a obra imortal e ao Infinito — essas imagens ampliam a ideia de que o verso participa de uma ordem superior e perene.
Portanto, as metáforas funcionam sobretudo para exaltar a dimensão transcendental da criação poética, mostrando o poeta como mediador de uma inspiração que ultrapassa o mundano.
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