Questão FC338031
Atenção: Para responder à questão, leia o texto abaixo. Há algum tempo venho percebendo que as recordações começam a falhar. Os fatos do passado se embaralham e embaçam minha compr
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2024
Atenção: Para responder à questão, leia o texto abaixo.
Há algum tempo venho percebendo que as recordações começam a falhar. Os fatos do passado se embaralham e embaçam minha compreensão. Por isso, antes de sumirem por completo, tomei coragem para reviver as histórias que povoaram minha infáncia e adolescência. Aqui, na cidade de Paris, em que vivo há mais de cinquenta anos, distante cerca de 7,5 mil quilômetros do bairro Paripiranga, decidi escrever o que aconteceu comigo até o dia de minha partida, no final de 1960, quando os tropeços com a realidade me obrigaram a entrar, sem volta, no mundo dos adultos. Não que minha vida mereça um romance. Não. Eu vivi uma vida feijão com arroz, uma vida simplória, sem glamour, sem feitos nem confeitos. Não fui protagonista. Fui testemunha. Prometi para mim mesma que, se um dia descobrisse alguma lasca de talento, escreveria um livro contando minha história. Como o esta/o de Vieira nunca se manifestou, cansei de esperar o surto de genialidade e resolvi simplesmente contar alguns fatos que presenciei ou ouvi. Dispensei o computador porque o texto só ganhou fluência quando passei a escrevê-lo à mão. Descobri que, apesar da distância espacial e temporal, o bairro onde titia enterrou meu umbigo continuava vivo dentro de mim. Bastou iniciar o registro das primeiras reminiscências e me vi transportada para um tempo que ficou grudado nas bordas da lembrança. Então cavouquei ainda mais e raspei do tacho da memória histórias que eu nem sabia que havia guardado. Um assunto puxava outro e às vezes bastava uma palavra para os casos brotarem da raiz da minha cabeça.
(Adaptado de: CORREIA, Tina. Essa menina. Editora Alfaguara, 2016)
Ao mencionar que possui uma vida feijão com arroz, uma vida simplória, sem glamour, sem feitos nem confeitos, a narradora
- desvaloriza completamente sua vida, afirmando que não há nada de interessante para contar.
- reconhece uma vida simples e comum, sem grandes eventos ou realizações extraordinárias.
- demonstra frustração por não ter vivido uma vida cheia de aventuras e conquistas.
- tenta convencer o leitor de que sua vida é mais interessante do que aparenta ser.
- reflete sobre o quanto gostaria de ter vivido uma vida mais sofisticada e cheia de luxo.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A opção B é correta porque a narradora caracteriza sua existência como "uma vida feijão com arroz", ou seja, uma vida cotidiana e despretensiosa. Ao acrescentar que foi "uma vida simplória, sem glamour, sem feitos nem confeitos", ela reforça a ideia de ausência de eventos extraordinários ou realizações espetaculares.
O tom do excerto revela aceitação, não amargura: apesar de reconhecer a simplicidade de sua trajetória, a narradora decide resgatar e registrar memórias, atribuindo valor às lembranças comuns que compõem sua história.
Em suma, a frase sintetiza a percepção de uma vida comum, apreciada por sua normalidade e lembrada com serenidade, o que legitima a leitura apontada pela alternativa correta.
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