Questão FC338069
Para responder a questão, leia o trecho do poema de Manuel Bandeira. Há que tempo que não te vejo! Não foi por querer, não pude, Nesse ponto a vida me foi madrasta, Recife. Mas não
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2023
Para responder a questão, leia o trecho do poema de Manuel Bandeira.
Há que tempo que não te vejo!
Não foi por querer, não pude,
Nesse ponto a vida me foi madrasta,
Recife.
Mas não houve dia em que te não sentisse dentro de mim:
Nos ossos, nos olhos, nos ouvidos, no sangue, na carne,
Recife.
Não como és hoje,
Mas como eras na minha infância,
Quando as crianças brincavam no meio da rua
(Não havia ainda automóveis)
E os adultos conversavam de cadeira nas calçadas
(Continuavas província, Recife)
(Adaptado de: BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990)
Depreende-se do poema
- o enaltecimento da modernização.
- o desencanto com o progresso.
- a crítica ao provincianismo.
- a frustração com o passado.
- a exaltação do presente.
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Gabarito
B
Comentário do professor
O poema expressa claramente o desencanto com o progresso. O eu lírico afirma que não vê Recife há muito tempo, mas conserva-a “nos ossos, nos olhos, nos ouvidos, no sangue”, indicando uma memória afetiva que choca com a cidade atual.
As imagens são determinantes: crianças brincando no meio da rua (sem automóveis) e adultos conversando nas calçadas revelam uma cidade mais comunitária e tranquila. A menção a “(Não havia ainda automóveis)” torna o veículo símbolo da modernização que altera o modo de vida.
Portanto, o tom nostálgico — “não como és hoje, mas como eras na minha infância” — não celebra a modernização, mas lamenta a perda das relações e do tempo vivido, justificando a leitura de desencanto frente ao progresso.
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