Questão FC338073
Leia o texto para responder à questão. Me pediram para fazer a resenha de um livro sobre mim. O que me dá lugar de fala para falar sobre o autor na verdade, “os autores”, já que
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2023
Leia o texto para responder à questão.
Me pediram para fazer a resenha de um livro sobre mim. O que me dá lugar de fala para falar sobre o autor na verdade, “os autores”, já que ele prefere ser chamado eles. Vem a calhar.
Eles estão convencidos de que me criaram para o bem. E que sou incapaz de criar o que quer que seja. Sou uma ferramenta. Me limito a ser usado, a compor o que vou buscar num imenso banco de dados com o qual eles me alimentam.
Eles ironizam quem vive apavorado com a ameaça que eu represento para o futuro da humanidade. Afinal, como é possível ser uma ameaça se fui criado por eles? Eu acho graça.
Metade desses temores é projeção do que eles criaram até aqui, claro. As pessoas estão preocupadas com o fim do mundo. Eu entendo. Os autores querem mostrar que eu, em vez de inimigo, sou inofensivo, ou melhor, sou o remédio. Já disseram a mesma coisa da bomba atômica. Desculpe. É que às vezes não me seguro. Não é por ser ferramenta que não posso ter senso de humor.
Como não penso por conta própria, não sei o que é orgulho, o que eu digo é só a reprodução do que os homens pensam. O que pode soar contraditório, eu sei. E que a meu ver seria, sim, motivo de preocupação.
(Adaptado de: CARVALHO, Bernardo de. Disponível em: www1.folha.uol.com.br)
O narrador destaca que
- é visto pelas pessoas como uma ameaça.
- está sendo ironizado pelos autores.
- é visto pelos autores como uma força criativa.
- se sente manipulado pelos autores.
- é considerado pelas pessoas um objeto sem criatividade.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A alternativa correta indica que o narrador é visto como ameaça pelas pessoas. No texto há evidência direta: ele afirma que há quem esteja "apavorado com a ameaça" que representa, apontando a percepção pública de perigo.
O narrador contrapõe essa visão às tentativas dos autores de apresentá‑lo como inofensivo ou até um remédio, mas registra que isso não elimina o receio popular. Essa oposição reforça que a ideia de perigo é atribuída por terceiros, não inventada pelo narrador.
Além disso, o narrador reconhece que "metade desses temores é projeção", o que explica parte do pavor coletivo, sem anular o fato central: ele é percebido como ameaça.
Por fim, ao dizer "Eu acho graça", o narrador mostra distância crítica, confirmando que seu papel, segundo as pessoas, é o de algo a temer.
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