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Questão FC338082

Considere o poema do escritor paraibano Augusto dos Anjos. Como um fantasma que se refugia Na solidão da natureza morta, Por trás dos ermos túmulos, um dia, Eu fui refugiar-me à tu

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2023

Considere o poema do escritor paraibano Augusto dos Anjos.

 

Como um fantasma que se refugia

Na solidão da natureza morta,

Por trás dos ermos túmulos, um dia,

Eu fui refugiar-me à tua porta!

 

Fazia frio e o frio que fazia

Não era esse que a carne nos conforta...

Cortava assim como em carniçaria1

O aço das facas incisivas corta!

 

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!

E eu saí, como quem tudo repele,

– Velho caixão a carregar destroços –

 

Levando apenas na tumbal carcaça

O pergaminho singular da pele

E o chocalho fatídico dos ossos!

 

(ANJOS, Augusto dos. Toda poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 2011)

 

1 carniçaria: açougue.

 

O poema permite caracterizar o interlocutor do eu lírico como

  1. insensível.
  2. curioso.
  3. compassivo.
  4. solitário.
  5. nostálgico.
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Gabarito

A

Comentário do professor

O interlocutor do eu lírico é caracterizado como insensível porque não reage ao pedido de socorro implícito na visita do sujeito poético. A recusa do contato fica explícita em "Mas tu não vieste ver minha Desgraça!", verso que denuncia ausência de resposta afetiva.

O eu lírico busca refúgio e compaixão, mas encontra silêncio e omissão. Essa atitude configura indiferença, não mera ausência física: o verso evidencia falta de empatia diante do sofrimento.

A sequência em que o eu lírico se afasta — "E eu saí, como quem tudo repele" — e a forte imagem do "velho caixão a carregar destroços" reforçam a sensação de abandono provocada pela frieza do interlocutor.

Portanto, pela ação negativa do "tu" e pelo efeito emocional produzido no eu lírico, conclui-se que o interlocutor é insensível.

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