Questão FC338083
Considere o poema do escritor paraibano Augusto dos Anjos. Como um fantasma que se refugia Na solidão da natureza morta, Por trás dos ermos túmulos, um dia, Eu fui refugiar-me à tu
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2023
Considere o poema do escritor paraibano Augusto dos Anjos.
Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!
Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos conforta...
Cortava assim como em carniçaria1
O aço das facas incisivas corta!
Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele,
– Velho caixão a carregar destroços –
Levando apenas na tumbal carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!
(ANJOS, Augusto dos. Toda poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 2011)
1 carniçaria: açougue.
No poema, o eu lírico compara o frio a
- um túmulo.
- um fantasma.
- uma carne.
- uma faca.
- um caixão.
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Gabarito
D
Comentário do professor
No poema, o eu lírico compara o frio a uma faca, imagem que transmite a ideia de um frio cortante e penetrante.
A comparação aparece nos versos "Cortava assim como em carniçaria / O aço das facas incisivas corta!", em que o termo como introduz a semelhança explícita.
Trata‑se de uma comparação (símile): o frio não é apenas intenso, é apresentado como algo que fere, corta a carne e os sentidos, tal qual uma lâmina.
Essa imagem reforça o tom sombrio do poema e dialoga com palavras como carcaça, ossos e túmulos, ampliando a sensação de dor e desamparo.
Assim, a escolha de uma faca sintetiza a violência do frio percebida pelo eu lírico e explica seu efeito físico e emocional.
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