Questão FC338085
Atenção: Para responder às questão, baseie-se no texto abaixo. [Rubem Braga, cronista maior] Desde que surgiu para a literatura na década de 30, Rubem Braga nos encanta com suas hi
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2023
Atenção: Para responder às questão, baseie-se no texto abaixo.
[Rubem Braga, cronista maior]
Desde que surgiu para a literatura na década de 30, Rubem Braga nos encanta com suas histórias. Ao longo dos anos. em meio às atribulações do dia a dia, o leitor brasileiro se habituou a esperar, em certos jornais e revistas, os dois dedos de prosa com que o “velho Braga” o prendia inapelavelmente, O assunto podia ser escasso ou faltar mas o encantamento se fada assim mesmo. De repente, naquela linguagem volátil, O leitor se encontrava ferra a ferra com a poesia do cotidiano.
Sem dúvida, tratava-se de um cronista, de um narrador e comentarista dos fatos corriqueiros de lodo dia, mas algo ali transfigurava a crônica, dando-lhe uma consistência literária que ela jamais tivera. Era um escritor diferente, pois havia escolhido um espaço diverso de criação: o espaço dominado pela informação jornalistica E, novo paradoxo, parecia discrepar naquele meio moderno da informação, como se O que trazia para expressar fosse inteiramente incompatível com o jornal.
É que aquele cronista trazia algo escasso nos tempos atuais: a sua própria experiência. Uma experiência particular, densa e complexa, inusitada para o tempo e o lugar, mas capaz de se transmitir a muitos que nela se reconheciam, permeáveis ao que havia ali de comum solidário. Uma experiência que se transmitia por histórias, pela arte do narrador, que parecia vir de outros tempos e retomar o fio da tradição oral, tão importante no Brasil.
Desde o principio, deve ter sido dificil definir com precisão o que eram aquelas crônicas. Pareciam esconder muita complexidade sob a capa límpida da naturalidade. Disfarçavam a arte da escrita numa prosa divagadora de quem conversa sem rumo certo, distraído com o balanço da rede, passando o tempo, como que para se livrar do ócio ou do tédio. E, no entanto, sra uma prosa cheia de achados de linguagem, um vocabulário escolhido a dedo para O lugar certo. Eram frases em geral curtas, com preferência pelas orações coordenadas. sem temer, porém curvas e enlaces dos períodos mais longos e complicados. Uma sintaxe, enfim. leve e flexível, próxima da linguagem coloquial.
Num mundo como o nosso, já bastante automatizado, onde tudo pode virar mercadoria e em si nada valer, o velho Braga, em meio ás coisas mais efêmeras, não apenas nos dá a impressão súbita do momento fugitivo de uma alta beleza presente no cotidiano, mas também a dignidade e a poesia do perecível, quando tocada por um dedo humano.
(Adaptado de: ARRIGUCCI JR, Dam, “Braga
de novo por aqui. in: BRAGA, Rubem, Os melhores contos. São Paulo: Global, 1877)
Analisando-se a estruturação do texto em seus cinco parágrafos, observa-se que o
- quarto demonstra que a força da linguagem de Rubem Braga está no modo singularmente solto e natural com que ele domina e coordena suas frases .
- quinto faz concluir que nem sempre um bom cronista sabe despertar o interesse de seu leitor para o cotidiano automatizado em que vivemos todos.
- primeiro situa os antecedentes históricos do gênero a que se dedicou Rubem Braga, destacando a importância da tradição a que se prende esse escritor.
- segundo acentua a compreensão do cronista em entender o meio de comunicação que se ocupa, adequando-se as características do melhor estilo jornalístico.
- terceiro dá conta das fontes que fornecem assunto ao grande cronista, apoiando-se ele nos relatos épicos da literatura clássica, cujo estilo absorve.
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Gabarito
A
Comentário do professor
O quarto parágrafo explicita por que a força da linguagem de Rubem Braga reside no modo singularmente solto e natural com que ele escreve. Ali o texto afirma que suas crônicas disfarçam “a arte da escrita” sob a capa da naturalidade, criando a impressão de conversa despreocupada.
O autor aponta elementos concretos: a imagem de quem fala “sem rumo certo”, o uso de um vocabulário escolhido a dedo e a preferência por frases curtas e orações coordenadas. Esses traços revelam simultaneamente descontração e domínio — liberdade de tom aliada a controle sintático e léxico.
Portanto, o quarto parágrafo mostra que a eficácia de Braga está nessa união de estilo coloquial e rigor estilístico, que torna sua prosa ao mesmo tempo solta e perfeitamente coordenada.
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