Questão FC338091
Tempos, lugares mágicos Sim, já faz tempo, éramos jovem casal e estávamos de férias, à toa na vida. Provavelmente aquele nosso cenário mágico de então terá Incorporado novidades: h
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2023
Tempos, lugares mágicos
Sim, já faz tempo, éramos jovem casal e estávamos de férias, à toa na vida. Provavelmente aquele nosso cenário mágico de então terá Incorporado novidades: haverá lugar Incólume ao tempo? Deixemos oculta a medida comum do tempo e digamos que tudo aconteceu já faz alguns séculos: cada um carrega dentro de si seu singular relógio emocional.
Estávamos os dois na praia de Amaralina, tomando cerveja num fim de tarde de verão (haverá outras estações em Salvador?). Aquele momento azul bem que podia ser eterno, sentíamos. Passamos a conversar sobre o Tempo. Imaginei então o que seria feito daquele lugar, dali a um mínimo de anos. E especulava, manhoso: ' Existirá talvez o planeta, mas alguma coisa guardará algo do sol desta tarde, destes coqueiros, de nós?'
Você então lembrou que não há eliminação cabal da matéria, há transformações sucessivas. E eu Imaginei que, decorridos milênios, nós dois seriamos duas moléculas avulsas, viajantes do espaço que, de repente, poderiam cruzar seus caminhos vertiginosos exatamente onde milênios antes teria havido uma cidade, uma praia, uma conversa a dois. Então lhe propus um pacto: que essas duas moléculas, ao se cruzarem numa fração de segundo em melo a tantas no caos, se façam notar por um quase Imperceptível código luminoso, uma faísca fulminante, uma piscadela guardada por milênios no coração da matéria cósmica.
Você achou minha imaginação exuberante demais e preferiu olhar em volta, conferir a brisa que batia nas folhas dos coqueiros de Amaral/na. Há lugares assim, neste nosso planeta: excitam a imaginação até o limite do Imponderável, e ao mesmo tempo exercem toda a sua sedução telúrica. Acabamos um chope e andamos um bocado, a tempo de ver o sol desaparecer. Depois, Já avistando o Farol da Barra, passei a Imaginar que aquele farol mágico, daquela terra mágica, assim que escurecesse passaria a acender estrelas altíssimas. Mas você olhava distraída para algum ponto da linha do horizonte.
(Jehová de Brito, a publicar)
Considerando-se a estruturação do texto, o 3º parágrafo constitui uma passagem na qual
- se sustenta a teoria de que os elementos mágicos da natureza provocam em nós fantasias ainda mais irracionais.
- predomina um pensamento especulativo, de caráter poético, que decola de uma ponderação científica.
- as personagens em situação compartilham amorosamente uma mesma teoria sobre adventos futuros da humanidade.
- se esclarece plenamente um rumo objetivo para a narrativa fantasiosa que vinha se desenvolvendo até então.
- o casal estabelece um pacto amoroso por conta do intenso envolvimento de ambos numa hipótese da física.
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Gabarito
B
Comentário do professor
O terceiro parágrafo parte de uma formulação com ar científico — “não há eliminação cabal da matéria, há transformações sucessivas” — e a usa como ponto de partida para um salto imaginativo.
Daí surge um pensamento especulativo: a ideia de que, em milênios, os dois seriam “duas moléculas avulsas” capazes de reencontrar-se. Esse movimento mostra claramente a transição da ponderação científica para a conjectura lírica.
O autor valora imagens e possibilidades — faíscas luminosas, pactos entre partículas — em vez de provar fatos; o vocabulário modal (como “poderiam”, “imaginar”) reforça a hipótese e o caráter poético da passagem.
Assim, predomina uma reflexão especulativa e metafórica que emerge de uma base teórica, confirmando a alternativa correta.
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