Questão FC338093
(Gente hospitaleira) Alguns pensadores definiram a hospitalidade como um modo privilegiado de encontro interpessoal marcado pela atitude de acolhimento em relação ao outro. As prat
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2023
(Gente hospitaleira)
Alguns pensadores definiram a hospitalidade como um modo privilegiado de encontro interpessoal marcado pela atitude de acolhimento em relação ao outro. As praticas de hospitalidade deverão marcar todas as situações da vida, ou seja, a hospitalidade não deverá ficar circunscrita à disponibilidade para receber o turista, o visitante que chega de fora e está de passagem pela cidade; é necessário que esta atitude de acolhimento e cortesia se estenda ao próximo em geral, seja o vizinho, o colega de trabalho ou mesmo um desconhecido.
Outros acentuam que a hospitalidade não pode estar condicionada pelas condições da realidade. A hospitalidade seria antes de mais nada uma disposição da alma, aberta e irrestrita. Ela, como o amor incondicional, em princípio, não rejeita nem discrimina a ninguém. É simultaneamente uma utopia e uma prática. Como utopia representa um dos anseios mais caros da história humana: de ser sempre acolhido independente da condição social e moral e de ser tratado humanamente. Como prática cria as políticas que viabilizam e ordenam a acolhida. Mas, por ser concreta, sofre os desafios, os constrangimentos e as imitações das situações dadas.
A hospitalidade é, para outros ainda, uma maneira de se viver em conjunto regida de modo bem definido por certas regras, ritos e leis. Nesse sentido, a hospitalidade é concebida não apenas como uma forma essencial de interação social, mas também como uma rigorosa forma de humanização, uma das formas administráveis de uma socialização verdadeira.
(Disponível em: https://lbhe.com.br/o-que-e-hospltalldade. Adaptado)
As afirmações, no 2º parágrafo, de que a hospitalidade não pode estar condicionada pelas condições da realidade e de que a hospitalidade sofre os desafios e as limitações das situações dadas
- representam perspectivas que desabonam o valor de quem cuida ao sentimento natural da hospitalidade.
- são complementares, na medida em que ambas desvinculam o mérito da hospitalidade das circunstancias em que se proponha.
- constituem uma oposição invencível, uma vez que a afirmação de uma exclui inteiramente o sentido da outra.
- fazem ver que a prática da hospitalidade é desafiadora Justamente por não se curvar às injunções concretas de sua atuação.
- mostram que o sentimento da hospitalidade é um privilégio vivido sobretudo por aqueles que subestimam os limites da realidade.
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Gabarito
D
Comentário do professor
As duas afirmações do 2º parágrafo articulam uma tensão: por um lado, hospitalidade aparece como uma disposição da alma, incondicional e utópica; por outro, a prática concreta “sofre os desafios…das situações dadas”.
Isso significa que, no plano ideal, a hospitalidade não se subordina a limites situacionais; é abertura irrestrita. Porém, quando se transmite isso à ação, emergem obstáculos materiais, normativos e administrativos.
Logo, dizer que a prática é desafiadora porque “não se curva às injunções concretas” é reconhecer que manter a atitude incondicional exige esforço: é preciso conciliar o ideal com regras, políticas e restrições do mundo real.
Assim, a alternativa correta aponta precisamente esse conflito entre ideal e aplicação prática.
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