Questão FC338099
Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo. O gavião Gente olhando para o céu: não é mais disco voador. Disco voador perdeu o cartaz com tanto satélite beirando o sol e a
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2023
Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.
O gavião
Gente olhando para o céu: não é mais disco voador. Disco voador perdeu o cartaz com tanto satélite beirando o sol e a lua. Olhamos todos para o céu em busca de algo mais sensacional e comovente - o gavião malvado, que mata pombas.
Retornamos assim a contemplação de um drame bem antigo, e há o partido des pombas e o partido do gervião. Os pombistes ou pombeiros (qualquer palavra é melhor que "columbófilo" querem matar o gavião. Os amigos deste dizem que ele não é malvado: na verdade come a sua pombinha com a mesma inocência com que a pomba come seu grão de milho.
Não tomarei partido: admiro a túrgida" inocência das pombas e também o lance magnífico em que o gavião se despenca sobre uma delas. Comer pombas é, como diria Saint-Exupéry", "a verdade do gavião", mas matar um gavião no ar com um belo tiro pode também ser a verdade do caçador.
Que o gavião mate a pomba e o homem mate alegremente o gavião; ao homem, se não houver outro bicho que o mate, pode lhe suceder que ele encontre seu gavião em outro homem. A vida é rapina. A verdade é que não posso mais falar de aves: dei os meus passarinhos. Perdi os cantos do meu canário e os assovios do meu sofré; meu coração está mais triste, mas está mais leve também.
*túrgida - intumescida, dilatada, cheia.
**Antoine de Saint-Exupéry, escritor francês.
(Adaptado de: BRAGA, Ruben. Ai de ti, Copacabana. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1960, p. 163-164)
Ao afirmar, no contexto do último parágrafo, que a vida é rapina, o autor
- pretende estabelecer um marco divisório entre as criaturas pacíficas e as belicosas.
- considera o fato de que nos momentos de conciliação costuma ocultar-se um crime.
- evoca a justificativa de que a própria natureza nos fornece os meios para nos entendermos.
- estende à humanidade o princípio de que a violência é determinante entre os animais.
- mostra como é que tentamos justificar como atributo da natureza a violência que é só nossa.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Ao afirmar que a vida é rapina, o autor estende ao conjunto dos humanos o mesmo princípio que observa entre os animais: a violência e a exploração são leis naturais e sociais.
O texto constrói essa conclusão ao articular imagens animais (o gavião que mata a pomba) com a ação humana (o homem que mata o gavião), sugerindo continuidade entre ambas as esferas.
A frase "Que o gavião mate a pomba e o homem mate alegremente o gavião... A vida é rapina." funciona como síntese: transforma o comportamento predatório dos animais em metáfora para a condição humana.
Assim, o autor não descreve um caso isolado, mas generaliza: a violência aparece como fator determinante nas relações vivas, tanto entre bichos quanto entre pessoas.
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