Questão FC338107
Para responder a questão, leia o texto abaixo. Numa manhã, Donana acordou me chamando de Carmelita, dizendo que iria dar um jeito em tudo, que eu não me preocupasse, que não precis
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2023
Para responder a questão, leia o texto abaixo.
Numa manhã, Donana acordou me chamando de Carmelita, dizendo que iria dar um jeito em tudo, que eu não me preocupasse, que não precisaria mais viajar. Áquela época eu tinha doze anos e Belonísia se aproximava dos onze. Vi Donana nas manhãs seguintes chamar Belonísia de Carmelita também. Minha irmã apenas ria da confusão. OIhávamos uma para a outra e nos deixávamos caçoar pela desordem que se instaurou nos falares de Donana. Em seus pensamentos, Fusco havia se tomado uma onça, pedia para que tivéssemos cuidado. Nos convidava a caminhar pelas veredas por onde iríamos buscar meu pai que, haviam dito, estava dormindo aos pés de um jatobá ao lado da onça mansa que o cão havia se tomado. Sabíamos que nosso pai estava na roça, trabalhando todos os dias, então as coisas que minha avô falava não faziam sentido. Mesmo assim, minha mãe pedia que a acompanhássemos, que vigiássemos para que não lhe sucedesse nenhum acidente ou se perdesse em meio à mata.
(Adaptado de: VIEIRA JÚNIOR, ltamar. Torto Arado. São Paulo, Cia. das Letras, 2019)
A respeito do trecho acima, atente para as afirmações I, II e III.
I. A narradora, ela também uma personagem, observa, do seu ponto de vista, qual seja, o de uma menina de 12 anos, o processo de perda cognitiva da personagem Donana.
II. A narradora reprova a atitude de Belonísia, que debochava da confusão mental de Donana.
III. A narradora conclui, com ironia, que a mãe tinha o hábito de pedir às filhas que seguissem o pai para não perdê-lo de vista durante o tumo de trabalho na roça.
Está correto o que se afirma em
- I e III,apenas.
- I, II e III.
- II e III,apenas.
- I e II,apenas.
- I,apenas.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Correta. A afirmativa descreve adequadamente o modo de enunciação: a narradora é também personagem e fala em primeira pessoa, situando-se como menina de doze anos — prova-se no trecho “Àquela época eu tinha doze anos”.
Do seu ponto de vista, ela registra sinais progressivos de alteração mental em Donana: confusão de nomes (“me chamando de Carmelita”), imaginação de eventos impossíveis (Fusco “tinha-se tomado uma onça”) e pedidos delirantes sobre buscar o pai junto ao jatobá. Esses elementos compõem um claro processo de perda cognitiva percebido pela narradora.
Portanto, a leitura é fundamentada no relato em primeira pessoa e nas descrições que indicam o declínio das faculdades mentais de Donana, razão pela qual a afirmativa é válida.
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