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Questão FC338108

Quanto podemos conhecer do mundo? Será que podemos conhecer tudo? Ou será que existem limites fundamentais para o que a ciência pode explicar? Se esses limites existem, até que pon

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2023

Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.

 

A ilha do conhecimento

 

Quanto podemos conhecer do mundo? Será que podemos conhecer tudo? Ou será que existem limites fundamentais para o que a ciência pode explicar? Se esses limites existem, até que ponto podemos compreendera natureza da realidade?

 

O que vemos no mundo é uma infima fração do que existe. Muito do que existe é invisivel aos olhos, mesmo quando aumentamos nossa percepção sensorial com telescópios. microscópios e outros instrumentos de exploração. Tal como nossos sentidos, todo instrumento tem um alcance limitado. Como muito da Natureza permanece oculto, nossa visão de mundo é baseada apenas na fração da realidade que podemos medir e analisar. A ciência, nossa narrativa descrevendo aquilo que vemos e que conjecturamos existir no mundo natural, é, portanto, necessariamente limitada. contando-nos apenas parte da história. Quanto à outra parte, que nos é inacessível, pouco podemos afirmar. Porém, dados os sucessos do passado, temos confiança de que, passado tempo suficiente, parte do que hoje é mistério será incorporado na narrativa científica — desconhecimento se tornará conhecimento.

 

Essa visão dos nossos limites nada tem de anticientífica ou derrotista. Também não se trata de uma proposta para que sucumbamos a algum obscurantismo religioso. Pelo contrário, o impulso criativo, o desejo que temos de sempre querer saber mais, vem justamente do flerte com o mistério, da compulsão que temos de ir além das fronteiras do conhecido. O não saber é a musa do saber.

 

Nos últimos duzentos anos, avanços na fisica, na matemática e, mais recentemente, nas ciências da computação, nos ensinaram que a própria Natureza tem um comportamento esquivo do qual não podemos escapar. A própria Natureza — ao menos como nós percebemos — opera dentro de certos limites. O filósofo grego Heráclito já havia percebido isso quando escreveu, 25 séculos atrás, que “A Natureza ama esconder-se”.

 

(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. A ilha do conhecimento. São Paulo: Editora Record, 2023, p. 13-14 e 19)

 

Segundo o autor do texto, o conhecimento integral do mundo não parece possível porque

  1. as teses anticientíficas têm prosperado de tal modo que impedem os ganhos reais da tecnologia.
  2. os métodos científicos deixam de observar o mundo real para especularem o plano do sobrenatural.
  3. há limites já determinados tanto pelo alcance da ciência quanto pelo comportamento mesmo da Natureza.
  4. os avanços na física e na matemática têm se mostrado inócuos para alguma aplicação de fato objetiva.
  5. a compreensão que temos dos fenômenos naturais esbarra na irregularidade das funções cerebrais.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A alternativa correta indica que o conhecimento integral é inviável porque existem limites de duas ordens.

Primeiro, há um limite epistemológico: o alcance da ciência é condicionado pelos nossos sentidos, pelos instrumentos e pelos métodos de investigação; só conseguimos construir uma narrativa científica sobre aquilo que podemos medir e analisar.

Segundo, há um limite ontológico: o próprio comportamento da Natureza pode ser intrinsecamente esquivo, com aspectos que, por sua própria natureza, permanecem ocultos ou inacessíveis à observação.

Assim, o texto sustenta que não se trata de derrota ou anti-ciência, mas de reconhecer que parte da realidade pode permanecer além da compreensão humana, enquanto outra parte tende a ser gradualmente incorporada ao saber — o não saber instiga a investigação.

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