Questão FC338109
Quanto podemos conhecer do mundo? Será que podemos conhecer tudo? Ou será que existem limites fundamentais para o que a ciência pode explicar? Se esses limites existem, até que pon
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2023
Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.
A ilha do conhecimento
Quanto podemos conhecer do mundo? Será que podemos conhecer tudo? Ou será que existem limites fundamentais para o que a ciência pode explicar? Se esses limites existem, até que ponto podemos compreendera natureza da realidade?
O que vemos no mundo é uma infima fração do que existe. Muito do que existe é invisivel aos olhos, mesmo quando aumentamos nossa percepção sensorial com telescópios. microscópios e outros instrumentos de exploração. Tal como nossos sentidos, todo instrumento tem um alcance limitado. Como muito da Natureza permanece oculto, nossa visão de mundo é baseada apenas na fração da realidade que podemos medir e analisar. A ciência, nossa narrativa descrevendo aquilo que vemos e que conjecturamos existir no mundo natural, é, portanto, necessariamente limitada. contando-nos apenas parte da história. Quanto à outra parte, que nos é inacessível, pouco podemos afirmar. Porém, dados os sucessos do passado, temos confiança de que, passado tempo suficiente, parte do que hoje é mistério será incorporado na narrativa científica — desconhecimento se tornará conhecimento.
Essa visão dos nossos limites nada tem de anticientífica ou derrotista. Também não se trata de uma proposta para que sucumbamos a algum obscurantismo religioso. Pelo contrário, o impulso criativo, o desejo que temos de sempre querer saber mais, vem justamente do flerte com o mistério, da compulsão que temos de ir além das fronteiras do conhecido. O não saber é a musa do saber.
Nos últimos duzentos anos, avanços na fisica, na matemática e, mais recentemente, nas ciências da computação, nos ensinaram que a própria Natureza tem um comportamento esquivo do qual não podemos escapar. A própria Natureza — ao menos como nós percebemos — opera dentro de certos limites. O filósofo grego Heráclito já havia percebido isso quando escreveu, 25 séculos atrás, que “A Natureza ama esconder-se”.
(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. A ilha do conhecimento. São Paulo: Editora Record, 2023, p. 13-14 e 19)
Há afirmações taxativas quanto à insuficiência nossa na compreensão do mundo. Ainda assim, o autor acredita que
- o obscurantismo contribui com a ciência ao satisfazer-se com os mistérios que momentaneamente nos cercam
- não há por que temer o obscurantismo que algumas religiões estabelecem e propagam.
- o avanço das ciências de ponta, nos últimos duzentos anos, é mais do que promissor.
- ofato de haver tantos enigmas no mundo deve estimular os impulsos na busca de esclarecimento.
- a natureza mesma acabará por desvelar-se quando nossas técnicas científicas se provarem ilimitadas.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa D sintetiza a intenção do autor: a existência de muitos enigmas não desanima a investigação, antes a impulsiona.
O texto afirma que o impulso criativo e o desejo de saber nascem do contato com o mistério, sintetizado na expressão "o não saber é a musa do saber". Isso mostra que a ignorância momentânea funciona como motor da investigação científica.
Mesmo reconhecendo limites — sentidos e instrumentos finitos e uma Natureza por vezes esquiva — o autor ressalta que esses limites não representam derrota, mas estímulo: o desconhecido estimula perguntas, hipóteses e pesquisa contínua.
Assim, dizer que os enigmas devem estimular a busca de esclarecimento reflete fielmente a visão do autor sobre a relação entre mistério e avanço do conhecimento.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em