Questão FC338113
Para responder a questão, leia o texto abaixo. - Em que circunstâncias alguém se exalta e defende com ardor uma opinião? “Ninguém sustenta fervorosamente que 7 x 8 = 56, pois se po
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2023
Para responder a questão, leia o texto abaixo.
- Em que circunstâncias alguém se exalta e defende com ardor uma opinião? “Ninguém sustenta fervorosamente que 7 x 8 = 56, pois se pode mostrar que isto é o caso”, observa Bertrand Russell. O ânimo persuasivo só recrudesce e lança mão das artes e artimanhas da retórica quando se trata de incutir opiniões que são duvidosas ou demonstravelmente falsas. - O mesmo vale para o ato de prometer alguma coisa. O simples fato de que uma promessa precisou ser feita indica a existência de dúvida quanto à sua concretização. Só prometemos acerca do que exige um esforço extra da vontade. E quanto mais solene ou enfática a promessa - “Te juro. agora é pra valer!" - mais duvidosa ela é: “O proclamar excessivo”, como dizem os ingleses. “Só os deuses podem prometer, porque são imortais”, adverte o poeta.
(GIANNETTI, Eduardo, “O paradoxo da promessa”, Trópicos Utópicos. 2016, edição eletrônica, Adaptado)
Conforme argumenta o autor,
- a habilidade de persuadir alguém está relacionada com a arte de manipular a opinião alheia.
- uma opinião infundada ancora-se em fatos que podem ser empiricamente demonstrados.
- a promessa de que alguma coisa será realizada por si mesma já pressupõe dúvida quanto à concretização do que foi prometido.
- a motivação que se tem ao se fazer uma promessa é a mesma quando se divulga uma opinião falsa.
- uma promessa é mais crível quanto maior for a eloquência com que foi proferida.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
O autor sustenta que o próprio ato de prometer revela uma suspeita sobre a realização daquilo prometido: não se promete o que é certo.
Argumenta-se que prometemos apenas quando algo exige um esforço extra da vontade; ou seja, a promessa é um recurso comunicativo para superar a incerteza da ação futura.
Além disso, quanto mais enfática ou solene a promessa, maior a sinalização de dúvida — o exagero no juramento indica justamente que a confiabilidade do cumprimento é questionável.
Em suma, o texto conclui que a necessidade de prometer é prova indireta de insegurança quanto à execução: a promessa pressupõe dúvida sobre a concretização do que foi prometido.
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