FC ConcursosFC Concursos

Questão FC338118

Para responder a questão, considere o texto abaixo. Blefes Ninguém conhece a alma humana melhor do que um jogador de pôquer. A sua e a do próximo. Numa mesa de pôquer o homem chega

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2023

Para responder a questão, considere o texto abaixo.

 

Blefes

 

Ninguém conhece a alma humana melhor do que um jogador de pôquer. A sua e a do próximo. Numa mesa de pôquer o homem chega ao pior e ao melhor de si mesmo, e vai da euforia ao ódio numa rodada. Mas sempre como se nada estivesse acontecendo. Os americanos falam do poker face, a cara de quem consegue apostar tendo uma boa carta ou nada na mão com a mesma impassividade, embora a lava esteja turbilhonando lá dentro. Porque sabe que está rodeado de fingidos, o jogador de pôquer deve tentar distinguir quem tem jogo de quem não tem e está blefando por um tremor na pálpebra, por um tique na orelha. Ou ultrapassando a fachada e mergulhando na alma do outro.

 

Não se trata de adivinhar seu caráter. Não é uma questão de caráter. O blefe é um lance tão legitimo quanto qualquer outro no pôquer. Os puros são até melhores blefadores, pois só quem não tem culpa pode sustentar um poker face perfeito sob o escrutínio hostil da mesa. Há quem diga que ganhar com um blefe supera ganhar com boas cartas e que é no blefe que o pôquer deixa de ser um jogo de azar, e portanto de acaso, e se torna um jogo de talento. Já fora do pôquer o blefe perde sua respeitabilidade. É apenas sinônimo de engodo. Geralmente aplicado a pessoas que não eram o que pareciam ou fingiam ser.

 

(Adaptado de: VERÍSSIMO, Luis Fernando. As mentiras que os homens contam. São Paulo: Cia das Letras, 2015)

 

Os puros são até melhores blefadores.

 

O uso de “até” no trecho acima permite afirmar que

  1. o escrutínio hostil da mesa depende da pureza dos jogadores.
  2. não se espera que os puros sejam melhores blefadores.
  3. não é preciso ser puro para ser um bom blefador.
  4. a pureza é apenas um detalhe por não ser considerada ao se blefar.
  5. o blefe está intimamente ligado à culpa do jogador.
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

B

Comentário do professor

"Até" aqui funciona como marcador de surpresa ou contraste em relação à expectativa do falante.


Na frase "Os puros são até melhores blefadores", o uso de até sugere que é inesperado que os puros tenham essa capacidade; a informação contraria o que se pressuporia sobre eles.


Ou seja, a construção não afirma neutralidade ou condição necessária, mas realça o caráter surpreendente da afirmação: embora se espere o contrário, os puros revelam-se melhores blefadores.


Portanto, a leitura correta é que não se espera que os puros sejam melhores blefadores, e o "até" destaca justamente essa surpresa.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo