Questão FC338124
Declarou-me uma amiga que passou a se dedicar a olhar o céu estrelado para se consolar das feiuras terrestres. Não seria isso uma solução excessivamente cômoda? Se quiséssemos leva
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
FCC · 2025
Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.
[Entre luas]
Declarou-me uma amiga que passou a se dedicar a olhar o céu estrelado para se consolar das feiuras terrestres. Não seria isso uma solução excessivamente cômoda? Se quiséssemos levar essa declaração às últimas consequências, acabaríamos dizendo: “que a Terra continue de mal a pior, eu olho para o céu e reencontro meu equilíbrio interior”. Não estaria minha amiga instrumentalizando ilicitamente esse céu estrelado?
Não buscaria eu exortá-la- mais entusiasmo lembrando as magníficas aventuras cosmonáuticas da humanidade, essas lutas míticas pela supremacia terrestre sobre o firmamento. O que me interessa, ao contrário, é tudo o que é apropriação verdadeira do espaço e dos objetos celestes, ou seja, o conhecimento objetivo de uma relação entre nós e o universo extra-humano.
A Lua, desde a Antiguidade, significou para os homens esse desejo de um paraíso luminoso e sereno, e essa devoção lunar dos postas se perpetuou pelos tempos. Mas a Lua dos poetas tem alguma coisa a ver com as imagens leitosas e esburacadas que os foguetes nos enviam? Talvez não, ainda; mas o fato de sermos obrigados a reconsiderar a Lua de maneira nova nos levará a reconsiderar de maneira nova inúmeras outras coisas Quem ama a Lua realmente não se contenta em contemplá-la como uma imagem convencional: quer entrar numa relação mais estreita com ela, quer ver mais na Lua, quer que a Lua lhe diga mais.
(Adaptado de: CALVINO, ltalo, Assunto encerrado = Discursos sobre literatura o sociedade. Tradução: Roberta Bami. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 217-218)
Quem ama a Lua realmente não se contenta em contemplá-la como uma imagem convencional.
Uma nova redação correta e coerente do período acima se estabelece em:
- A contemplação da imagem convencional da Lua caracteriza-se por quem amar a Lua.
- Somente ama de fato a Lua quem não se ater ao convencionalismo de sua própria imagem.
- Não caberia contemplara Lua a quem a ela se dedica através de uma imagem convencional.
- Reconhecer a Lua de uma forma convencional não satisfaz a quem efetivamente a ame.
- Nenhuma imagem convencional da Lua pode ser contemplada com tal amor verdadeiro.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A frase da alternativa D ("Reconhecer a Lua de uma forma convencional não satisfaz a quem efetivamente a ame") preserva com fidelidade a ideia do enunciado original: a insatisfação de quem ama a Lua diante de uma visão meramente convencional.
Sintaticamente, mantém o foco no mesmo sujeito implícito (o ato de reconhecer/contemplar a Lua de modo convencional) e no objeto (a Lua, retomada pelo pronome a), garantindo clareza e coerência.
Lexicalmente, "efetivamente" corresponde a "realmente" do original, e a construção negativa "não satisfaz a quem... ame" reexpressa corretamente o sentido de não se contentar, sem ambiguidade.
Por fim, a frase é gramaticalmente correta e estilisticamente equivalente, apresentando condensação adequada da ideia original sem alterar seu conteúdo semântico.
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