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Questão FC338130

Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte. As duas memórias O filósofo francês Henri Bergson distinguiu dois tipos de memória, dos quais nos servimos ao longo da vida:

Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.

FCC · 2025

Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.

 

As duas memórias

 

O filósofo francês Henri Bergson distinguiu dois tipos de memória, dos quais nos servimos ao longo da vida: a memória-hábito e a memória-pura. Na memória-hábito, o corpo guarda esquemas de comportamento de que se vale muitas vezes automaticamente na sua ação sobre as coisas; na memória-pura, ocorrem lembranças independentes de quaisquer hábitos, lembranças isoladas, que constituiriam autênticas ressurreições do passado.

 

A análise do cotidiano mostra que a relação entre essas duas formas de memória é, não raro, conflitiva. Na medida em que a vida psicológica entra na bitola dos hábitos, e move-se para a ação, restaria pouca margem para o devaneio onde flui a evocação espontânea das imagens e das lembranças avulsas. O contrário também é verdadeiro: o sonhador resiste ao enquadramento nos hábitos, que é peculiar ao homem de ação.

 

A memória-hábito adquire-se pelo esforço da atenção e pela repetição de gestos e palavras. Ela é um processo que se dá pelas exigências da socialização. Graças à memória-hábito, sabemos ''de cor'' os movimentos que exigem, por exemplo, o comer segundo as regras da etiqueta, o falar uma língua estrangeira, o dirigir um automóvel, o costurar, o datilografar etc.

 

No outro extremo, a lembrança pura, quando se atualiza na imagem-lembrança, traz à tona a consciência de um momento único, singular, não repetido, irreversível, da vida. Sonho e poesia são, tantas vezes, feitos dessa matéria que estaria latente nas zonas profundas do psiquismo, a que Bergson não hesitará em dar o nome de ''inconsciente''.

 

A imagem-lembrança tem data certa: refere-se a uma situação definida, individualizada, ao passo que a memória-hábito já se incorporou às práticas do dia a dia. A memória-hábito parece fazer um só todo com a percepção do presente. "Memória-sonho'' e ''memória-trabalho'' também seriam denominações justas, para bem distingui-las.

 

(Adaptado de: BOSI, Ecléa. Memória e sociedade - Lembranças de velhos. São Paulo: T. A, Queiroz, 1979, p. 11)

 

Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:

  1. autênticas ressurreições do passado (1° parágrafo)= legítimas ressuscitações do decorrido.
  2. entra na bitola dos hábitos (2° parágrafo)= expande-se pelos trilhos habituais.
  3. evocação espontânea das imagens (2° parágrafo)= interpelação natural das figuras.
  4. se dá pelas exigências da socialização (3° parágrafo)= vai de encontro aos fins sociais.
  5. latente nas zonas profundas do psiquismo (4° parágrafo)= emerso do fundo da consciência.
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Gabarito

A

Comentário do professor

"autênticas ressurreições do passado" traduz-se adequadamente por legítimas ressuscitações do decorrido porque mantém os três vetores semânticos do original: autênticas preserva a ideia de veracidade e intensidade da lembrança — equivalente a legítimas; ressurreições conserva o sentido figurado de trazer algo à vida novamente, reproduzido por ressuscitações, termo sinônimo adequado no registro culto; e do passado corresponde a do decorrido, que indica o que já se viveu.

No contexto da memória-pura, a expressão sublinha que as lembranças são reativadas como eventos únicos e revividos com força, não meros hábitos — sentido preservado na versão proposta.

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