Questão FC338140
Ciência: o valor dos limites A esperança de que podemos atingir o conhecimento total é muito simplista. A ciência precisa falhar para avançar. Queremos certezas. Mas, para crescer,
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
FCC · 2024
Ciência: o valor dos limites
A esperança de que podemos atingir o conhecimento total é muito simplista. A ciência precisa falhar para avançar. Queremos certezas. Mas, para crescer, precisamos abraçar as incertezas. A existência dos limites não deve ser vista como um obstáculo intransponível. Limites são oportunidades, alavancas que nos ensinam algo sobre o mundo e sobre nós mesmos, que nos incentivam a prosseguir na busca de respostas. Limites expandem as possibilidades de quem podemos ser.
A ciência é muito mais do que conhecimento acumulado do mundo natural. É uma visão de mundo, um estilo de vida, uma aspiração coletiva de crescermos como espécie em um cosmos repleto de mistérios, de medos e encantos. A ciência é o cobertor com que cobrimos os pés à noite, a luz que ligamos no fim do corredor, o mentor paciente que nos lembra do que somos capazes quando trabalhamos juntos. Que a ciência seja usada tanto para o bem como para o mal não reflete a ciência em si, mas a precariedade da natureza humana, a tendência que temos tanto para criar quanto para destruir.
Embora as ciências físicas e sociais sejam capazes de iluminar muitos aspectos do conhecimento, não têm como missão responder a todas as perguntas. Nada diminuiria mais o espírito humano do que restringir nossa criatividade a uma única esquina do conhecimento. Somos criaturas multidimensionais e buscamos respostas de muitas formas. Cada uma tem seus propósitos e precisamos de todas elas.
Aceitar que o conhecimento é incompleto não é uma derrota do intelecto humano, não significa que estamos enquadrando a ciência como uma atividade humana, falível mesmo que poderosa, incompleta mesmo como melhor ferramenta para descrever o mundo. A ciência não reflete uma verdade divina, existente em um domínio platônico de perfeição e beleza. A ciência reflete a inquietude humana, nossa necessidade de ter algum controle sobre o tempo, sobre o misto de veneração e temor que sentimos quando confrontamos a imensidão do cosmos.
(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. A ilha do conhecimento. 7.ed. Rio de Janeiro: Record, 2023, p. 325-328, passim)
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:
- Nada diminuiria mais o espírito humano = ninguém teria reduzido assim nossa mentalidade.
- falível mesmo que poderosa = limitada na medida de sua potência.
- precisamos abraçar as incertezas = é preciso retificar nossas convicções.
- aspiração coletiva de crescermos como espécie = consenso no avanço cultural.
- mentor paciente que nos lembra do que somos = guia perseverante que nos vê a nós mesmos.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
"mentor paciente que nos lembra do que somos" foi reescrito adequadamente como guia perseverante que nos vê a nós mesmos. Aqui, mentor equivale a guia — figura que orienta — e paciente corresponde a perseverante, isto é, alguém que atua com constância e calma.
O verbo lembrar, no contexto metafórico, não indica mera recordação, mas promover a consciência de nossas capacidades. Expressar isso por "nos vê a nós mesmos" mantém a função retificadora: a ciência atua como espelho ou estímulo para reconhecermos nosso potencial.
Assim, a reescritura preserva tanto a imagem afetiva (figura tutelar e serena) quanto o efeito pragmático (provocar autoconhecimento e confiança coletiva), mantendo o sentido original do enunciado.
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