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Questão FC338159

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. Poesia e ciência É comum se dizer que poucas atividades criativas são tão antagônicas quanto a poesia e a ciência. Enq

Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.

FCC · 2024

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

Poesia e ciência

 

É comum se dizer que poucas atividades criativas são tão antagônicas quanto a poesia e a ciência. Enquanto uma expressa uma visão subjetiva e emocional do mundo, a outra expressa uma visão universal e racional. Enquanto uma é produto de inspiração e lirismo, a outra o é de dedução e análise. A obra de certos poetas, no entanto, além de extremamente técnica, mostra uma profunda apreciação da visão científica prevalecente na época.

 

Como exemplo, tenho em mente o poeta romano Lucrécio, que viveu aproximadamente 96 e 55 a.C. Em um mundo completamente dominado por religiões politeístas, baseadas em ritos pagãos, a voz de Lucrécio soa como uma verdadeira luz nas trevas, uma proclamação contra o medo criado pela ignorância e pela obediência caga à autoridade. O poeta convida seus leitores a olhar para o mundo e seus mistérios através da razão, argumentando que esse é o único caminho para a nossa liberação. Eis um exemplo, livremente parafraseado:

 

“Quando a vida humana, arrastando-se pela Terra, era esmagada pelas crendices, um homem grego pela primeira vez alçou bravamente seus olhos mortais contra esses tormentos [...] Sua força era a mente, que ele usou para explorar a vasta imensidão do espaço, trazendo-nos novas do que é ou não é possível, limites ou fronteiras forjadas para sempre. As crendices, assim, foram controladas e, desde então, nós podemos alcançar as estrelas”.

 

Dais mil anos após serem escritos, os versos de Lucrécio ecoam com incrível modernidade. Na passagem de mais um milênio*, quando muitos sentem-se vulneráveis perante as várias profecias apocalípticas, sugiro uma nova leitura de Lucrécio, poeta da ciência e da lucidez apaixonada.

 

* Este texto foi publicado em 1988.

 

(Adaptado de GLEISER, Marcela. Retalhos cósmicos. São Paulo. Companhia das Letras, 1999, p. 21-22)

 

É coerente, clara e correta a redação desta súmula 4º parágrafo  texto:

  1. Séculos depois de escritos, os versos de Lucrécio, conquanto vulneráveis aos profetas do apocalipse, mesmo assim professam sua crença nas ciências e na própria lucidez.
  2. Os versos de Lucrécio, poeta lúcido e amigo da ciência, têm o espírito da modernidade que pode ajudar os que se sentem fracos diante dos profetas apocalípticos.
  3. Aos mais vulneráveis pela crença no Apocalipse os versos de Lucrécio podem libertar-lhes através de seus versos em cujos resistem modernamente a lucidez da ciência.
  4. Há modernidade nos versos de Lucrécio quando o mesmo se vale de sua lucidez apaixonada para afrontar os mais vulneráveis onde se proclamam profecias apocalípticas.
  5. A modernidade de Lucrécio na passagem deste milênio está em coibir a fragilidade dos vulneráveis por meio da resiliência das profecias de caráter meramente apocalíptico.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A frase sintetiza com precisão a ideia do texto: identifica Lucrécio como poeta lúcido e amigo da ciência, ressaltando que seus versos têm um caráter capaz de iluminar leitores contemporâneos.

Do ponto de vista semântico, a locução "têm o espírito da modernidade" recupera corretamente a noção de que os versos soam modernos mesmo séculos depois, conforme o texto-base.

Gramaticalmente, a construção é correta: há concordância entre sujeito e verbo ("Os versos ... têm") e a oração subordinada "que pode ajudar os que se sentem fracos diante dos profetas apocalípticos" funciona como complemento explicativo coerente e bem pontuado.

Estilisticamente, a frase é clara e concisa, evita ambiguidade e preserva o tom argumentativo do original, propondo a função consoladora da poesia frente às profecias do medo.

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