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Questão FC338163

- E vais outoneando sozinha?

Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.

FCC · 2024

Atenção: Para responder à questão, baseie- se no texto abaixo.

"Fala, amendoeira"

 

Este oficio de rabiscar sobre as coisas do tempo exige que prestemos alguma atenção à natureza. Abrindo a janela, o cronista pousou a vista nas árvores, que estavam todas verdes, menos uma. Essa ostentava algumas folhas amarelas e outras já estriadas de vermelho, numa gradação fantasistaa que chegava mesmo até o marrom - cor final de decomposição, depois da qual as folhas caem. E como o cronista lhe perguntasse - fala, amendoeira! - por que fugia ao rito de suas irmãs, adotando vestes assim particularesb, a árvore pareceu explicar-lhe:

 

- Não vês? Começo a outonear. É 21 de março, data que as folhinhas assinalam o equinócio de outono. Cumpro meu dever de árvore.

 

- E vais outoneando sozinha?

 

- Na medida do possível. Anda tudo muito desorganizado e, como deves notar, trago comigo um resto de verão, uma antecipação da primavera, e mesmo, se reparares bem neste ventinho que me fustigac, uma suspeita de inverno.

 

- Somos todos assim.

 

- Os homens, não. Em ti, por exemplo, o outono é manifesto e exclusivo. Acho-te bem outonal, meu filho, e teu trabalho é exatamente o que os autores chamam de outonada: silo frutos colhidos numa hora da vida que Já não é clara, mas ainda não se diluí em trevad. Repara que o outono é mais estação da alma que da naturezae.

 

- Não me entristeça.

 

- Não, querido, sou tua árvore da guarda e simbolizo teu outono pessoa/. Quero apenas que outonizes com paciência e doçura. O dardo de luz fere menos, a chuva dá ás frutas seu definitivo sabor. As folhas caem, é certo, e os cabelos também, mas há alguma coisa de gracioso em tudo isso: parábolas, ritmos, tons suaves ... Outoniza-te com dignidade, meu velho.

 

(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Orummond. Fala, amendoeira. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.. p. 13-14)

Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:

  1. estriadas de vermelho, numa gradação fantasista = isentas de rubor, numa progressão Ilusória
  2. adotando vestes assim particulares  = ostentando trajes tão convencionais
  3. se reparares bem neste ventinho que me fustiga = se bem atentares para esta aragem consoladora
  4. mas ainda não se diluí em treva = mesmo que por ora não se dissolva na escuridão
  5. é mais estação da alma que da natureza = é condição mais natural do que anímica
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Gabarito

D

Comentário do professor

A frase mas ainda não se diluí em treva é corretamente recriada por mesmo que por ora não se dissolva na escuridão porque mantém a mesma ideia central: uma condição ainda não consumada.

O conectivo mas introduz sentido concessivo e ainda confere valor temporal — isto é, algo que por enquanto não ocorreu (por ora). A reescritura preserva ambos.

O verbo diluir tem valor metafórico de dissolver ou desaparecer gradualmente; a versão sugerida usa dissolva, termo equivalente em registro e sentido.

Treva equivale a escuridão (figura de fim, apagamento). Assim, a alternativa traduz fielmente a nuance metafórica e temporal do original, sem alterar tom nem sentido.

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