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Questão FC338174

Eu fico cá embaixo maginando na ponte moderna – moderna por quê?

Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.

FCC · 2023

Leia o trecho do poema de Carlos Drummond de Andrade.

 

II. SABARÁ

 

A dois passos da cidade importante

a cidadezinha está calada, entrevada.

(Atrás daquele morro, com vergonha do trem.)

 

Só as igrejas

só as torres pontudas das igrejas

não brincam de esconder.

O Rio das Velhas lambe as casas velhas,

casas encardidas onde há velhas nas janelas.

Ruas em pé

 

(...)

 

Eu fico cá embaixo maginando na ponte moderna – moderna por quê?

A água que corre

já viu o Borba.

Não a que corre, mas a que não para nunca de correr.

 

Ai tempo!

 

Nem é bom pensar nessas coisas mortas, muito mortas.

Os séculos cheiram a mofo

e a história é cheia de teias de aranha.

 

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia. São Paulo: Record, edição digital)

 

Está inteiramente correta a redação do seguinte comentário a respeito do poema de Drummond:

 

No poema,

  1. descreve-se as casas e igrejas antigas de uma cidade, assim como o rio que as banha, considerando que tal arquitetura influencia a vida das pessoas.
  2. reflete-se sobre a relação entre a passagem do tempo e as transformações urbanas e culturais da cidade.
  3. trata-se da ideia da cidade como um espaço histórico em constante mutação, do qual se insere na paisagem natural.
  4. considera-se a relação do homem com a cidade, destacando a capacidade de transformação, que este impõe aquela.
  5. sugere-se sobretudo à partir de metáforas que, com o passar do tempo negligenciam-se o valor atribuído às coisas antigas.
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Gabarito

B

Comentário do professor

No poema, há uma meditação sobre a passagem do tempo e suas consequências para a cidade: Drummond contrapõe elementos antigos (as casas velhas, as igrejas, o Rio das Velhas) a sinais de modernidade (a ponte moderna e o trem), questionando o valor e o sentido dessas transformações.

Expressões como “Ai tempo!” e imagens de séculos cheirando a mofo reforçam a sensação de desgaste e memória perdida, enquanto a indagação “moderna por quê?” introduz uma ironia crítica sobre o progresso.

Assim, o poema reflete não só sobre mudanças físicas no espaço urbano, mas também sobre alterações culturais e afetivas: o passado persiste em lembranças e símbolos, mesmo quando a cidade se transforma.

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