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Questão FC338208

Ciência: o valor dos limites A esperança de que podemos atingir o conhecimento total é muito simplista. A ciência precisa falhar para avançar. Queremos certezas. Mas, para crescer,

Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)

FCC · 2024

Ciência: o valor dos limites

 

A esperança de que podemos atingir o conhecimento total é muito simplista. A ciência precisa falhar para avançar. Queremos certezas. Mas, para crescer, precisamos abraçar as incertezas. A existência dos limites não deve ser vista como um obstáculo intransponível. Limites são oportunidades, alavancas que nos ensinam algo sobre o mundo e sobre nós mesmos, que nos incentivam a prosseguir na busca de respostas. Limites expandem as possibilidades de quem podemos ser.

 

A ciência é muito mais do que conhecimento acumulado do mundo natural. É uma visão de mundo, um estilo de vida, uma aspiração coletiva de crescermos como espécie em um cosmos repleto de mistérios, de medos e encantos. A ciência é o cobertor com que cobrimos os pés à noite, a luz que ligamos no fim do corredor, o mentor paciente que nos lembra do que somos capazes quando trabalhamos juntos. Que a ciência seja usada tanto para o bem como para o mal não reflete a ciência em si, mas a precariedade da natureza humana, a tendência que temos tanto para criar quanto para destruir.

 

Embora as ciências físicas e sociais sejam capazes de iluminar muitos aspectos do conhecimento, não têm como missão responder a todas as perguntas. Nada diminuiria mais o espírito humano do que restringir nossa criatividade a uma única esquina do conhecimento. Somos criaturas multidimensionais e buscamos respostas de muitas formas. Cada uma tem seus propósitos e precisamos de todas elas.

 

Aceitar que o conhecimento é incompleto não é uma derrota do intelecto humano, não significa que estamos enquadrando a ciência como uma atividade humana, falível mesmo que poderosa, incompleta mesmo como melhor ferramenta para descrever o mundo. A ciência não reflete uma verdade divina, existente em um domínio platônico de perfeição e beleza. A ciência reflete a inquietude humana, nossa necessidade de ter algum controle sobre o tempo, sobre o misto de veneração e temor que sentimos quando confrontamos a imensidão do cosmos.

 

(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. A ilha do conhecimento. 7.ed. Rio de Janeiro: Record, 2023, p. 325-328, passim)

 

Está plenamente adequado o emprego do elemento sublinhado na frase:

  1. Um misto de veneração e temor é o sentimento por que somos tomados frente ao cosmos.
  2. O emprego nocivo da ciência não é um efeito ao qual ela mesma seja responsável.
  3. As altas aspirações das quais nos curvamos podem nos levar a um estado de frustração.
  4. Os limites científicos de cujos trata o texto derivam do limite mesmo da nossa humanidade.
  5. É na necessidade da plenitude do conhecimento aonde se nota toda a nossa arrogância.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Na frase, a escolha de por que decorre da regência do particípio "tomados", que exige a preposição "por" para indicar agente ou causa.

O segmento "por que" aqui não é interrogativo, mas a junção de preposição + pronome relativo, em que o pronome "que" retoma o substantivo "sentimento".

Assim, "por que somos tomados" equivale a "pelo qual somos tomados" (por + o qual), demonstrando a correção sintática e semântica da construção.

Em suma: a preposição exigida pelo verbo/predicado e o papel do pronome relativo explicam por que "por que" é a forma adequada nesse contexto.

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