Questão FC338210
Atenção: Leia o poema de Carlos Drummond de Andrade para responder a questão a seguir. Ode no cinquentenário do poeta brasileiro Esse incessante morrer que nos teus versos encontro
Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
FCC · 2024
Atenção: Leia o poema de Carlos Drummond de Andrade para responder a questão a seguir.
Ode no cinquentenário do poeta brasileiro
Esse incessante morrer
que nos teus versos encontro
é tua vida, poeta.
e por ele te comunicas
com o mundo em que te esvais.
Debruço-me em teus poemas
e neles percebo as ilhas
em que nem tu nem nós habitamos
(ou jamais habitaremos!)
e nessas ilhas me banho
num sol que não é dos trópicos,
numa água que não é das fontes
mas que ambos refletem a imagem
de um mundo amoroso e patético.
Tua violenta ternura,
tua infinita policia.
tua trágica existência
no entanto sem nenhum sulco
exterior - salvo tuas rugas.
tua gravidade simples,
a acidez e o carinho simples
que desborda em teus retratos,
que capturo em teus poemas,
s§o razões por que te amamos
e por que nos fazes sofrer ...
Certamente não sabias
que nos fazes sofrer.
Por isso sofremos: pela mensagem que nos confias
entre ônibus, abafada pelo pregão dos jornais e mil queixas operárias;
essa insistente mas discreta mensagem
que, aos cinquenta anos, poeta, nos trazes;
[...]
Que o poeta nos encaminhe e nos proteja
e que o seu canto confidencial ressoe para consolo de muitos e esperanças de todos,
os delicados e os oprimidos, acima das profissões e dos vãos disfarces do homem.
Que o poeta Manuel Bandeira escute este apelo de um homem humilde.
{Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond. Alguma Poesia. Rio de Janeiro: Record, 2022)
O trecho em que o eu lírico se dirige explicitamente ao poeta Manuel Bandeira está em:
- Certamente não sabias / que nos fazes sofrer.
- Que o poeta nos encaminhe e nos proteja.
- e nessas ilhas me banho / num sol que não é dos trópicos.
- que o seu canto confidencial ressoe para consolo de muitos
- acima das profissões e cios vãos disfarces do homem.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Certamente não sabias / que nos fazes sofrer.
Nesse fragmento o eu lírico dirige-se diretamente ao poeta, o que fica claro pelo verbo no registro da segunda pessoa ("sabias", "fazes").
Não há descrição neutra nem comentário em terceira pessoa: há um enunciador falando para alguém, estabelecendo diálogo e intimidade.
O uso dessa forma verbal cria um apelo direto, como se o locutor chamasse o poeta à atenção para o efeito de seus versos sobre os leitores.
Além disso, o trecho tem caráter afetivo e acusatório ao mesmo tempo — reconhece a influência do poeta e a surpresa quanto ao sofrimento que provoca — enfatizando a relação pessoal entre eu lírico e Manuel Bandeira.
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