Questão FC338211
A inveja é uma forma de contemplação ressentida pelo sucesso dos outros, imbuída do desejo último de possuí-lo. Sabe-se que ela nunca é geral, mas particular, direcionada a atribut
Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
FCC · 2024
A inveja é uma forma de contemplação ressentida pelo sucesso dos outros, imbuída do desejo último de possuí-lo. Sabe-se que ela nunca é geral, mas particular, direcionada a atributos específicos do próximo. O objeto da inveja é inatingível, mas, muitas vezes, causa no invejoso a ilusão do contrário, envolvendo-o em um eterno ciclo de busca. De maneira paradoxal, ela toma conta de todo o seu corpo, física e psiquicamente.
Sabe-se que a inveja é tão perniciosa que os invejosos estão dispostos a destituir os outros de seus benefícios, ainda que, para tanto, seja necessário que eles mesmos sofram uma perda, podendo, inclusive, pôr fim à existência daquilo que beneficia sua própria vida. Ela não segue a lógica da coerência ou do sentido. A inveja é irracional, incontrolável e autodestrutiva. Muitos de nós devem ter visto com os próprios olhos.
Das 14 figuras que representam o vicio e a virtude, pintadas por Giotto na capela Arena, em Pádua, a inveja é que desempenha o papel mais significativo. Na rigorosa geometria espacial de seu programa de afrescos, Giotto pintou a Inveja em frente e em oposição à alegoria da Caridade. O confronto é um choque entre dois mundos diametralmente opostos: um do egoísmo e avareza e outro da generosidade plena.
(Adaptado de:FIDELIS, Gaudêncio. Revista Cult. Acesso em: 06/02/2024)
Das 14 figuras que representam o vício e a virtude, pintadas por Giotto na capela Arena, em Pádua, a inveja é que desempenha o papel mais significativo.
A expressão sublinhada acima produz, no contexto, efeito de
- conformidade.
- ironia.
- oposição.
- realce.
- paralelismo.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A expressão "é que" na frase funciona como partícula de realce: não exerce função sintática essencial, mas ressalta o predicado, acentuando a informação sobre a inveja.
Trata‑se de um idiotismo ou recurso enunciativo que confere maior intensidade ou destaque à afirmação, sem alterar a estrutura gramatical.
Retirando a partícula, a oração permanece correta e com o mesmo sentido básico: “a inveja desempenha o papel mais significativo”. Assim, "é que" apenas intensifica, não conecta ideias nem marca oposição.
Esse uso é comum em enunciados com verbos do tipo ser, sobretudo na combinação "é que", quando se pretende sublinhar ou focalizar uma informação já apresentada.
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