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Questão FC338218

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo . "Que menino especula!" Eu era um menino muito perguntador, como quase todas as crianças, e volta e meia tinha que ouv

Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)

FCC · 2024

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo .

"Que menino especula!"

 

Eu era um menino muito perguntador, como quase todas as crianças, e volta e meia tinha que ouvir de um adulto: - Mas você é especula, hein? E eu via logo que ser um menino "especula" não devia ser muito bonito. Nem por isso guardava minhas armas de perguntador: continuava a especular sobre tudo o que não entendia. Eu ainda não conhecia a réplica justa a quem me acusasse de especula: - Mas perguntar não ofende ...

 

Mais tarde tive a minha vingança. Aprendi que especular é investigar, pesquisar, refletir ... Aprendi mais: que os homens muito curiosos, de muito antigamente, olhavam os astros no céu pra ver se entendiam a formação de suas andanças no espaço, seus movimentos regulares. Não contando ainda com a sofisticação de telescópios, valiam-se os antigos de um espelho, um "speculum: que fixavam no chão apontado para o alto. Na superfície plana do espelho refletiam-se os astros iluminados no céu, e nela os astrônomos pioneiros iam marcando a posição e os movimentos dos corpos celestes. Era Isso o que também se entendia por especular: observar algo por meio do reflexo de um espelho. Os primeiros astrônomos foram grandes especulas. Com o tempo, especulação passou a designar um processo mental abstrato, que formula hipóteses e elabora ideias. Pensamento especulativo, para muitos, é o princípio mesmo da inquirição filosófica, Portanto, fui mesmo, e com muita honra, um menino especula, sim senhor. Como quase todas as crianças, estava Interessado em saber quanta coisa havia entre o céu e a terra que ia além da nossa filosofia, ou dos nossos olhos terrestres. Da minha maneira, acionava o espelho da minha curiosidade para saber mais coisas dos astros do céu, do tempo cósmico, do destino das esferas - coisas que mesmo um telescópio espacial está longe de conseguir esclarecer, para poder satisfazer os e temos meninos especulas.

 

(Alceblades Villanova, a editar)

 

Há plena clareza, coesão e coerência na construção da seguinte frase:

  1. Os meninos perguntadores tem quem lhes veja só o defeito da curiosidade ao em vez de louvar sua fome de conhecimento.
  2. A vingança aonde refere o autor foi quando ele passou a ver que mesmo uma palavra como especula possa ter um sentido positivo.
  3. Embora eles não tivessem telescópios, os antigos por conseguinte podiam se valer de espelhos ao tentar marcar o movimento astrológico.
  4. O texto mostra como o sentido de uma palavra, ao longo do tempo, ganha nuances bastante particulares, por vezes surpreendentes.
  5. Não deixa de ser engenhoso a recorrência a um espelho para buscar localização mais privilegiada no tocante aos astros.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A frase está correta porque sintetiza, de modo preciso e conciso, a ideia central do texto: o sentido de "especula" evolui historicamente, adquirindo nuances novas e até surpreendentes para o narrador.


Há coesão na construção: o advérbio por vezes modula adequadamente a afirmação, indicando que as mudanças semânticas nem sempre são previsíveis. A expressão "ao longo do tempo" estabelece a sequência temporal necessária à interpretação.


A coerência é mantida porque a frase resume os episódios do texto — a recriminação infantil, a explicação etimológica (speculum) e a revalorização do termo — sem contradições e com clareza estilística.

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