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Questão FC344435

Considere que um servidor público que exerce suas atribuições em órgão licenciador forneceu a terceiro o número de sua senha pessoal de acesso ao sistema de gerenciamento de proces

Improbidade Administrativa

FCC · 2025

Considere que um servidor público que exerce suas atribuições em órgão licenciador forneceu a terceiro o número de sua senha pessoal de acesso ao sistema de gerenciamento de processos e licenças do órgão. De posse desse número, o terceiro emitiu a licença ambiental pendente para o estabelecimento hoteleiro do qual era proprietário. Soube-se, também, que o terceiro transferiu parte de suas quotas do empreendimento para a genitora do servidor público. Com a emissão da licença ambiental, foi liberado o início das atividades do empreendimento. Com base apenas as informações fornecidas, o servidor público

  1. não pode ser responsabilizado no âmbito disciplinar, pois não praticou qualquer conduta comissiva que caracterize infração, ficando sujeito a responsabilização por perdas e danos, na esfera civil, em razão de eventuais prejuízos ambientais causados pela licença irregularmente emitida.
  2. pode responder por improbidade administrativa, em razão da vantagem econômica recebida por sua genitora, caso reste demonstrado dolo específico do servidor.
  3. deve ser condenado por ato de improbidade administrativa, ante o percebimento de vantagem econômica decorrente do fornecimento da senha a terceiro, independentemente do elemento subjetivo.
  4. poderá ser responsabilizado apenas no âmbito disciplinar, pois não praticou nenhuma conduta que repercutisse nas esferas civil ou criminal.
  5. será disciplinarmente responsabilizado, com a aplicação de sanção administrativa de demissão, apenas como efeito decorrente de condenação na esfera criminal ou por improbidade administrativa.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A hipótese descreve conduta que se amolda ao conceito de improbidade administrativa por enriquecimento ilícito, previsto no Art. 9º da Lei 8.429/92, quando o agente, dolosamente, recebe ou favorece outrem com vantagem econômica.

O fato de a genitora ter recebido quotas do empreendimento constitui vantagem para outrem, suficiente para tipificar o ato, desde que se comprove o vínculo causal entre o fornecimento da senha e o benefício patrimonial obtido.

Essencial, porém, é a demonstração do dolo específico — isto é, a vontade livre e consciente do servidor de obter ou propiciar a vantagem. Sem essa prova, não se configura o tipo doloso exigido pela Lei de Improbidade.

Assim, com prova do nexo e do dolo, o servidor pode responder por improbidade administrativa em razão da vantagem econômica recebida por sua genitora.

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