Questão FC347553
As novas demarcações de fronteira pelo tratado de 1750 eram de grande sensibilidade para as ordens missionárias, uma vez que as missões - e as jesuíticas em particular - mergulhava
História do Brasil
FGV · 2018
As novas demarcações de fronteira pelo tratado de 1750 eram de grande sensibilidade para as ordens missionárias, uma vez que as missões - e as jesuíticas em particular - mergulhavam estrategicamente no interior continental, situadas entre territórios espanhóis e portugueses bem como ao longo dos principais sistemas fluviais. Os jesuítas tinham cooperado com a Espanha nos anos 1740, e o uso dos neófitos indígenas convertidos pelos jesuítas como tropas e mão-de-obra foi uma parte indispensável dos planos espanhóis para conter a expansão das fronteiras portuguesas, fundindo-se a estratégia espanhola, nesse ponto, com o tradicional objetivo dos jesuítas de criar uma cadeia de missões unida, bem guarnecida, sertão adentro do subcontinente sul-americano, capazes de tutelar o indígena catequizado e aptas ao comércio em produtos amazônicos
Adaptado de Kenneth Maxwell - A Amazônia e o fim dos jesuítas
Considerando o texto, assinale a afirmativa correta.
- O Tratado de Madri favorecia o plano de expansão missionária das províncias ibéricas da Companhia de Jesus na bacia amazônica.
- Os temores de Portugal quanto à lealdade dos jesuítas eram infundados, pois suas reduções podiam ser consideradas uma linha defensiva dos limites territoriais.
- A administração pombalina considerava que o comércio em produtos amazônicos dos jesuítas era uma concorrência desleal com o de empreendedores brasileiros e lusos.
- As missões permitiam a assimilação dos índios à sociedade colonial portuguesa, mediante o serviço militar obrigatório dos nativos.
- A concessão dos privilégios da Companhia do Grão-Pará e Maranhão e a emancipação indígena são iniciativas pombalinas que preparam a assinatura do Tratado de Madri.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A administração pombalina identificou nas atividades comerciais jesuíticas uma ameaça aos interesses mercantis portugueses e coloniais: as missões jesuíticas não se limitavam à catequese, mas exploravam e comercializavam produtos amazônicos, articulando uma rede logística própria.
Essas operações — sobretudo a circulação das drogas do sertão — funcionavam fora do controle dos comerciantes lisboetas e brasileiros, burlando o exclusivo colonial e ofertando bens a preços e condições que prejudicavam os empreendedores privados.
Assim, o argumento da concorrência desleal serviu de fundamento econômico e político para as reformas pombalinas, culminando na tomada de medidas drásticas, como a expulsão dos jesuítas, para reinstaurar o monopólio e reorganizar o comércio imperial.
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