Questão FC347578
A carta régia da Abertura dos Portos de 1808 e os subsequentes tratados de 1810 são considerados pela historiografia brasileira como um momento do encerramento do estatuto colonial
História do Brasil
FGV · 2014
A carta régia da Abertura dos Portos de 1808 e os subsequentes tratados de 1810 são considerados pela historiografia brasileira como um momento do encerramento do estatuto colonial do Brasil.
A esse respeito, leia os fragmentos a seguir.
1. (...) depois da fatal desgraça da invasão do Reino, e assento da Corte no Brasil, era de evidente, absoluta, e inevitável necessidade política abrirem‐se os portos destes domínios ultramarinos ao comércio estrangeiro.
(José da Silva Lisboa, Observações
sobre o comércio franco no Brasil, parte primeira, em Antonio Penalves Rocha (org.), José da Silva Lisboa, visconde de Cairu, São Paulo: Editora 34, 2001, p. 67.)
2. Dei à Inglaterra o direito de estabelecer com os Brasis relação de soberano e vassalo e de exigir obediência como preço da proteção.
(Relatório do embaixador inglês, Strangford para
Canning, apud Alan K. Manchester, British Preeminence in Brazil: its Rise and Decline, Chapel Hill: The University of North Carolina Press, 1933, pp. 66‐67.)
Com base nos fragmentos a cima, assinale a afirmativa correta.
- O fragmento 2 situa a Abertura dos Portos no contexto das relações de dependência feudal impostas pela Inglaterra aos habitantes do Brasil.
- Os dois fragmentos examinam comparativamente o intercâmbio comercial entre a Inglaterra e os países americanos.
- O fragmento 2 considera 1808 uma etapa fundamental do processo pelo qual os portos da América se libertam do monopólio português e se inserem na economia mundial sob o regime do livre comércio.
- Os dois fragmentos destacam a mudança benéfica para o aumento das transações comerciais portuguesas trazida pela abertura dos portos americanos às nações amigas.
- O fragmento 1 considera a Abertura dos Portos em função de suas circunstâncias imediatas: a impossibilidade de manter, após a ocupação de Portugal pelas tropas napoleônicas, o exclusivo comercial com a colônia.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Abertura dos Portos é apresentada no fragmento 1 como resposta às circunstâncias imediatas: com a invasão napoleônica e a transferência da Corte para o Brasil, tornou‑se impossível manter o antigo exclusivo comercial colonial. José da Silva Lisboa argumenta que, diante da ruptura das ligações entre metrópole e colônia, só restava abrir os portos aos estrangeiros para garantir abastecimento e manter a economia.
Assim, a medida aparece como uma decisão pragmática e emergencial, não como simples adesão prévia a um modelo liberal abstrato: trata‑se da adaptação política e econômica às novas condições criadas pela ocupação de Portugal e pela presença da Corte no Rio de Janeiro.
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