Questão FC347605
Leia o texto a seguir. “Fixando-se os olhos no Brasil, contudo, percebe-se que a corrosão do Antigo Regime não o destruiu completamente, marcando-se também por continuidades. Se o
História do Brasil
FGV · 2019
Leia o texto a seguir.
“Fixando-se os olhos no Brasil, contudo, percebe-se que a corrosão do Antigo Regime não o destruiu completamente, marcando-se também por continuidades. Se o absolutismo, a sociedade estamental, o fanatismo religioso, o poderio desmesurado dos clérigos e da Igreja, o monopólio comercial e a sujeição de Lisboa tornaram-se página virada, o mesmo não se deu com a escravidão, os valores aristocráticos e, em certa medida, o ‘capitalismo comercial’, que tinha no tráfico negreiro uma de suas fontes. O mesmo se pode dizer a respeito da dependência econômica, ainda que esta não se desse mais nos quadros do antigo sistema colonial, mas, sim, sob a égide de uma potência capitalista, que desenvolvia uma política imperialista: a Inglaterra.”
VILLALTA, Luiz Carlos. O Brasil e a crise do Antigo Regime português. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2016, p. 236-237.
Considerando o processo de emancipação política do Brasil, assinale a afirmativa correta.
- Realizou-se de modo pacífico e sem contestações violentas, com acentuado protagonismo popular.
- Manteve ileso o sistema político do período colonial, baseado no favorecimento e no personalismo.
- Silenciou proposições dissidentes em favor da permanência da monarquia e da escravidão.
- Assegurou uma política de inclusão social para os mestiços que, a partir de 1824, passaram a exercer cidadania política.
- Aprofundou as relações de dependência com a antiga metrópole até, pelo menos, a maioridade de d. Pedro II.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A alternativa aponta que o processo de emancipação optou por silenciar proposições dissidentes para garantir a continuidade da monarquia e da escravidão. Essa escolha foi uma estratégia das elites proprietárias, que desejavam preservar a ordem social e os interesses econômicos baseados no trabalho escravo.
Para isso, foram usados instrumentos institucionais e coercitivos: intervenção militar em províncias rebeldes, censura e pressão sobre a imprensa e perseguição a líderes de correntes liberais ou abolicionistas.
A promulgação da Constituição de 1824 centralizou o poder no imperador e instituiu limites ao sufrágio por renda, reduzindo espaços de contestação e impedindo reformas que ameaçassem o sistema escravista.
Assim, o projeto monárquico pós-independência funcionou como mecanismo de contenção das mudanças radicais, assegurando a manutenção da escravidão como pilar econômico e político.
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