Questão FC347606
A famosa frase “Nada se assemelha mais a um ‘saquarema’ do que um ‘luzia’ no poder”, atribuída ao político pernambucano Antônio Francisco de Paula Holanda Cavalcanti, testemunha a
História do Brasil
FGV · 2016
A famosa frase “Nada se assemelha mais a um ‘saquarema’ do que um ‘luzia’ no poder”, atribuída ao político pernambucano Antônio Francisco de Paula Holanda Cavalcanti, testemunha a convergência de interesses das elites que compunham os partidos políticos do Segundo Reinado.
Entretanto, a historiografia assinala as especificidades de luzias e saquaremas.
A respeito das interpretações historiográficas do quadro partidário do Segundo Reinado, analise as afirmativas a seguir.
I. Para Caio Prado Júnior, as diferenças entre saquaremas e luzias podiam ser entendidas como disputas entre os interesses reacionários e progressistas da burguesia, sem necessariamente se concretizarem em conflitos partidários.
II. Para José Murilo de Carvalho, a distinção entre saquaremas e luzias estava em suas respectivas bases regionais: enquanto os primeiros tinham mais força entre os proprietários rurais e os burocratas da Bahia e de Pernambuco, os segundos eram mais fortes entre os proprietários rurais e os profissionais liberais de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
III. Para Raimundo Faoro, saquaremas e luzias representavam as diferenças entre os conservadores ligados aos interesses agrários, em oposição aos liberais ligados à burocracia e defensores do fortalecimento do poder central.
Assinale:
- se somente a afirmativa I estiver correta.
- se somente a afirmativa II estiver correta.
- se somente a afirmativa III estiver correta.
- se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
- se todas as afirmativas estiverem corretas.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Caio Prado Júnior interpreta as diferenças entre saquaremas e luzias não como cisões programáticas profundas, mas como expressão de frações da mesma classe burguesa — uma disputa entre elementos mais reacionários e mais progressistas da elite econômica, que frequentemente se manifestava mais em alianças sociais do que em conflitos partidários formais.
José Murilo de Carvalho complementa essa visão ao identificar as bases regionais como critério explicativo: os saquaremas tinham maior penetração entre proprietários rurais e burocratas em províncias como Bahia e Pernambuco, enquanto os luzias se apoiavam em proprietários locais e nos profissionais liberais de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Por isso a combinação das afirmativas I e II resume adequadamente as interpretações historiográficas apontadas, justificando a alternativa correta.
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