Questão FC347622
Segundo a historiadora Maria Ligia Prado, “Varnhagen e von Martius, ideólogos do Império, escreveram a história oficial do Brasil, e defendiam a monarquia que se opunha às ‘repúbli
História do Brasil
FGV · 2023
Segundo a historiadora Maria Ligia Prado, “Varnhagen e von Martius, ideólogos do Império, escreveram a história oficial do Brasil, e defendiam a monarquia que se opunha às ‘repúblicas caóticas’ da parte espanhola. Dessa maneira, estava clara a diferença que se devia estabelecer entre ‘nós’ e ’eles’, entre o Brasil e os demais países da América do Sul, onde campeavam a desordem, a desunião e a fragmentação, todas alimentadas pelas ideias republicanas”.
Adaptado de PRADO, Maria Ligia. O Brasil e a distante América do Sul. In Revista de História, 145, 2001, p. 131-2.
A respeito das diferentes trajetórias das nações latino-americanas após suas independências, com base no trecho citado, é correto afirmar que
- a história oficial construída pelos ideólogos do Império conciliou a defesa da monarquia de raiz europeia à idealização da autonomia norte-americana, bem-sucedida em termos políticos e econômicos.
- as independências latino-americanas foram obstaculizadas pela intervenção bélica do Império brasileiro, sobretudo na fronteira amazônica, com a tomada da Caiena, por exemplo.
- os ideólogos do Império fundaram uma interpretação sobre o mundo hispano-americano que contribuiu para criar um imaginário sobre a outra América, que a dissocia e a separa do Brasil.
- Diferentemente dos vizinhos republicanos, o Brasil não enfrentou desafios de ordem política ao longo do Império que pudessem levar à fragmentação.
- As novas repúblicas da América Hispânica aboliram a escravidão de africanos e ofereceram asilo a escravos fugitivos, por isso foram atacadas pelo Brasil.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Ideólogos do Império, como Varnhagen e von Martius, construíram uma narrativa historiográfica que contrapôs o Brasil à restante América Hispânica, descrevendo-a como marcada pela desordem e fragmentação.
Essa interpretação não foi neutra: serviu para validar a monarquia como garante de ordem e progresso, criando um imaginário segundo o qual o Brasil seria distinto e superior à “outra América”.
O processo combinou textos históricos, relatos de viagem e produção cultural para institucionalizar essa visão, influenciando a formação da identidade nacional e justificando escolhas políticas e diplomáticas.
Assim, os ideólogos do Império ajudaram a produzir a noção de uma "outra América" dissociada do Brasil.
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