Questão FC347637
A guerra ou movimento de Canudos é um episódio trágico que marca o processo de transição política que originou a república brasileira, no qual atuaram agentes sociais e políticos c
História do Brasil
FGV · 2014
A guerra ou movimento de Canudos é um episódio trágico que marca o processo de transição política que originou a república brasileira, no qual atuaram agentes sociais e políticos com diferentes interesses.
Nesse complexo teatro político, a guerra de Canudos
- foi definida como uma rebelião monárquica ameaçadora da nova ordem institucional por parte dos segmentos políticos em confronto na recém‐inaugurada República, na passagem da liderança militar para o grupo dos cafeicultores do Sudeste.
- recebeu a adesão de florianistas e jacobinos, grupo radical composto por intelectuais, parlamentares e políticos ligados a oligarquias estaduais, insatisfeitos com a orientação descentralizadora do governo de Prudente de Morais.
- contou com o apoio das esferas eclesiásticas, desejosas de retomar o poder de decisão da igreja católica, subordinado à doutrina positivista republicana prevalecente nos segmentos militares e civis da elite política.
- deu espaço às reivindicações da população sertaneja por maior participação política na vida civil baiana, para o que foi fundamental o braço armado de bandos de jagunços, que percorriam as vilas do sertão baiano divulgando os ideais dos conselheiristas.
- foi numericamente expressiva em função do aumento do número de habitantes do arraial de Canudos, graças à migração de trabalhadores agrícolas, que haviam sido expulsos das frentes pioneiras na região sul do país, engrossando as fileiras de devotos conselheiristas.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Canudos foi interpretado pelos setores dominantes da jovem República como uma rebelião monárquica porque seu líder, Antônio Conselheiro, rejeitava a legitimidade do novo regime e afirmava vínculos simbólicos com a ordem anterior, tornando o arraial um foco de contestação ao poder central.
Esse enquadramento serviu para caracterizar a comunidade como ameaça à nova ordem institucional e facilitar a mobilização estatal contra ela.
No plano político, a repressão ocorreu numa fase de transição em que a liderança militar cedia espaço à influência dos cafeicultores do Sudeste, que buscavam consolidar a ordem oligárquica e a propriedade privada. Assim, a rotulação de Canudos como monarquista funcionou como instrumento de legitimação da repressão e proteção dos interesses das elites.
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