Questão FC347712
Leia o trecho da entrevista do escritor manauense Márcio Souza comentando um trecho de seu História da Amazônia (2019): “Um movimento de veículos de toda a sorte, um vaivém contínu
História do Brasil
FGV · 2022
Leia o trecho da entrevista do escritor manauense Márcio Souza comentando um trecho de seu História da Amazônia (2019):
“Um movimento de veículos de toda a sorte, um vaivém contínuo, que parecia mais um grande centro europeu do que uma cidade tropical”, disse um viajante europeu sobre a Belém do fim do século 19. “A mais refinada das civilizações chegou até o rio Negro”, teria afirmado outro, em referência ao Teatro Amazonas, erguido em Manaus. Entre 1870 e 1910, o extrativismo da borracha trouxe prosperidade e europeização para as grandes cidades amazônicas. Algo, obviamente, desfrutado apenas por uma minoria. Por debaixo da opulência, se encontrava “a mais criminosa organização do trabalho que ainda engendrou o mais desaçamado egoísmo”, conforme a descrição de Euclides da Cunha das condições dos seringueiros em ‘À Margem da História’, citado em ‘História da Amazônia’.”
(https://www.nexojornal.com.br)
Assinale a afirmativa que interpreta corretamente os impactos do desenvolvimento da economia gomífera indicados no texto.
- O auge da borracha atraiu massas de trabalhadores, impactando o sistema rodoviário de Belém e Manaus.
- O sistema de trabalho nos seringais era similar ao das indústrias europeias, com longas jornadas e baixos salários.
- Os seringueiros estavam à margem da história, pois não se beneficiavam com o progresso industrial de Belém e Manaus.
- A exportação do látex amazônico custeou o embelezamento urbano de Manaus, transformada em “Miami brasileira”.
- A prosperidade da borracha permitiu reestruturar em estilo europeu as principais cidades da Amazônia.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A afirmativa está correta porque a prosperidade da borracha (c. 1870–1910) gerou recursos significativos que as elites urbanas aplicaram na transformação estética e infraestrutural das capitais amazônicas.
Em cidades como Manaus e Belém houve importação de materiais, arquitetos e mobiliário europeus, implantação de avenidas, iluminação pública e edifícios representativos.
O Teatro Amazonas é exemplo concreto dessa europeização: sua planta, revestimentos e ornamentos reproduzem modelos e insumos europeus, simbolizando o uso da renda da borracha para modernizar e “ocidentalizar” o espaço urbano.
Importante notar que essa reestruturação beneficiou sobretudo as camadas privilegiadas, razão pela qual a opulência urbana convivia com profunda desigualdade social.
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