Questão FC347751
(http://www.revistadehistoria.com.br/secao/em‐dia/gritos‐de‐independencia) A Bahia tem a personalidade de um país e o Dois de Julho é seu principal mito de origem. (José João dos R
História do Brasil
FGV · 2014

(http://www.revistadehistoria.com.br/secao/em‐dia/gritos‐de‐independencia)
A Bahia tem a personalidade de um país e o Dois de Julho é seu principal mito de origem.
(José João dos Reis. “O jogo duro do dois de julho: o “partido negro” na independência
da Bahia. In: REIS, J. J. e SILVA, E. Negociação e conflito: a resistência negra no Brasil escravista. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p. 79.)
O Dois de Julho foi a primeira festa cívica do século XIX, na Bahia, quando se passou a comemorar a independência do Brasil com a expulsão dos portugueses de Salvador. A figura acima retrata uma comemoração contemporânea dessa data, com moradores de Salvador e do Recôncavo em trajes de época e suas casas enfeitadas com motivos patrióticos. As alternativas a seguir apresentam, no contexto político e social baiano, características do processo de independência do Brasil, à exceção de uma. Assinale‐a.
- A participação popular esteve presente na luta contra os portugueses através da atuação da milícia negra e parda, da organização de batalhões por estudantes e no recrutamento de escravos para as forças patriotas.
- Um dos ingredientes da comemoração, retratados na imagem, é a celebração da alforria, determinada pelo governo imperial, de todos os escravos que lutaram nos conflitos pela independência do Brasil na Bahia, sem direito de compensação para seus proprietários.
- O Dois de Julho é símbolo da identidade baiana no contexto da independência do Brasil, marcando uma posição de diferença em relação ao calendário oficial das festas cívicas, cuja data tradicional de celebração da ruptura pública entre Brasil e Portugal é o Sete de Setembro.
- A presença de mulheres nas lutas contra os portugueses é uma característica do contexto da independência do Brasil na Bahia, como é o caso do alistamento de Maria Quitéria de Jesus Medeiros, que lutou no Batalhão de Voluntários do Imperador.
- A comemoração baiana do Dois de Julho exemplifica a existência de diferentes realidades sociais e políticas das províncias à época da independência, que empreenderam modos diferentes de lutar contra o domínio português.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A alternativa afirma que houve alforria decretada pelo governo imperial para todos os escravos que lutaram na independência da Bahia, sem direito de compensação aos proprietários. Isso é incorreto.
Na prática não houve um decreto geral e imediato de libertação voluntária e irrestrita. Muitos proprietários recusaram liberar seus cativos ou mesmo emprestá‑los às forças patriotas, e a inscrição de negros nas tropas ocorreu por fugas ou acordos locais.
Posteriormente o Estado recomendou e facilitou a manumissão de combatentes — inclusive sugerindo uso de recursos da Junta Provincial da Fazenda para compensar senhores quando necessário — mas isso não equivaleu a uma alforria universal, gratuita e automática decretada pelo Império.
Portanto, a comemoração rememora a participação negra e lutas por liberdade, mas não um ato estatal único de libertação sem compensação.
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