Questão FC347753
Durante os anos 1830 e 1840, os três principais festejos cívicos comemorados em Salvador [o Dois de Julho, o Dois de Dezembro e o Sete de Setembro] tinham programas semelhantes: um
História do Brasil
FGV · 2014
Durante os anos 1830 e 1840, os três principais festejos cívicos comemorados em Salvador [o Dois de Julho, o Dois de Dezembro e o Sete de Setembro] tinham programas semelhantes: um desfile militar, incluindo a guarnição do Exército e a Guarda Nacional; um Te‐Deum na catedral; iluminação (decoração) de prédios oficiais (e também particulares); cortejo ao retrato do imperador por autoridades civis, militares e eclesiásticas, e também por cidadãos; vivas coletivas ao dia, ao monarca e às autoridades.
(KRAAY, Hendrik. “Definindo Estado e Nação: rituais cívicos na
Bahia pósindependência”. Em: Topoi, set. 2001, p. 68‐9.)
Os rituais das festas cívicas descritos acima tinham diversas finalidades, contribuindo para o processo cultural de construção do novo Estado e da nova Nação independentes.
Assinale a opção que descreve, corretamente, essas cerimônias oficiais em Salvador, no período pós‐independência.
- Participavam desses rituais apenas as autoridades civis e militares, sublinhando o caráter antipapal da nova monarquia.
- A presença dos militares nos desfiles representava o protesto desse segmento contra a imposição da independência da nação sob a tutela da Corte do Rio de Janeiro.
- Estas comemorações oficiais fortaleciam a lealdade ao governo imperial e às autoridades que o representavam na província.
- Os retratos do Imperador, expostos em cortejo, acentuavam a distância entre, de um lado, o regime imperial e seus costumes, e, de outro, a rusticidade da população baiana.
- Esses festejos transformavam o novo Estado independente em um espetáculo que mostrava o conflito de interesses entre as autoridades civis, militares e eclesiásticas.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Estas cerimônias públicas visavam, sobretudo, fortalecer a lealdade ao governo imperial e às autoridades provinciais.
Por meio de desfiles militares, Te-Deum, cortejos com o retrato do imperador e vivas coletivas, o poder tornava visível e legitimava a figura do soberano e seus representantes.
O caráter repetitivo e festivo desses rituais transformava símbolos (bandeiras, retratos, salvas) em instrumentos de legitimação, ensinando aos cidadãos a associar ordem política a devoção cívica.
A presença conjunta de autoridades civis, militares, e eclesiásticas, além da adesão popular, produzia uma performance de unidade que naturalizava a autoridade e contribuía para a construção do Estado e da nação.
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