Questão FC347763
Leia o trecho da Instrução da rainha D. Maria Ana de Áustria para D. Antonio Rolim de Moura, de 1749. Por ser entendido que Mato Grosso é a chave e o propugnáculo do sertão do Bras
História do Brasil
FGV · 2023
Leia o trecho da Instrução da rainha D. Maria Ana de Áustria para D. Antonio Rolim de Moura, de 1749.
Por ser entendido que Mato Grosso é a chave e o propugnáculo do sertão do Brasil pela parte do Peru, e quanto é importante por esta causa que naquele distrito se faça população numerosa, e haja forças bastantes a conservar os confinantes em respeito, ordenei se fundasse naquelas paragens uma vila, e concedi diversos privilégios e isenções para convidar a gente que ali quisesse ir estabelecer-se; e que, para decência do Governo e pronta execução das ordens, se levantasse uma Companhia de Dragões e, ultimamente, determinei se erigisse Juiz de Fora no mesmo distrito. Encomendo-vos, que depois que a ela chegardes, considereis e me façais presente quais outras providências serão próprias para o fim proposto de aumentar e fortalecer a povoação daquele território.
Apud MOURA, C. F. D. Antônio Rolim de Moura, Primeiro conde de Azambuja: biografia. Cuiabá: EdUFMT, 1982, p. 24.
As instruções enviadas ao futuro governador da capitania de Mato Grosso faziam referência
- aos interesses da Coroa em assegurar o controle das áreas centrais da América do Sul conquistadas pelos colonos luso-brasileiros em função da assinatura do Tratado de Madri.
- à necessidade de garantir a militarização da capitania mato-grossense diante da eclosão da guerra brasílica e dos levantes sediciosos nos arraiais do Cuiabá e da Forquilha.
- ao favorecimento da migração de colonos e ameríndios castelhanos para povoar a região, em um contexto de expulsão dos padres jesuítas da América espanhola.
- ao estabelecimento de uma rede de povoações na área de fronteira com o Vice-Reino do Peru, para garantir um maior controle da região, sobretudo do vale do rio Guaporé.
- à criação de um aparato político-administrativo para enraizar a presença da Coroa na fronteira ocidental, com a transferência da sede do governo da capitania para Cuiabá e a formação de uma Companhia de Dragões.
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Gabarito
D
Comentário do professor
O trecho mostra medidas típicas de colonização defensiva: criação de uma vila, concessão de privilégios, formação de uma Companhia de Dragões e estabelecimento de um Juiz de Fora. Essas ações visavam atrair moradores, organizar a vida civil e garantir presença militar na região.
Ao pedir ao governador que proponha outras providências para “aumentar e fortalecer a povoação”, a rainha instrui explicitamente a construção de uma rede de povoações na fronteira com o Vice‑Reino do Peru. Esse conjunto de núcleos servia para afirmar soberania, proteger rotas e controlar recursos e indígenas.
O destaque ao vale do rio Guaporé indica a importância estratégica local: vales e rios eram corredores de comunicação e acesso ao interior, cuja ocupação consolidava o domínio português frente às pretensões hispânicas.
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