Questão FC347834
Considere as duas fontes a seguir. I. “No outro dia falou pros manos que ia pescar peixões no igarapé Tietê. Maanape avisou: – Não vá, herói, que você topa com a velha Ceiuci mulhe
História do Brasil
FGV · 2023
Considere as duas fontes a seguir.
I. “No outro dia falou pros manos que ia pescar peixões no igarapé Tietê. Maanape avisou:
– Não vá, herói, que você topa com a velha Ceiuci mulher do gigante. Te come, heim!
– Não tem inferno pra quem já navegou no Cachoeira! que Macunaíma exclamou. E partiu.
Nem bem lançou a linha de cima dum mutá que veio vindo a velha Ceiuci pescando de tarrafa. A caapora viu a sombra de Macunaíma refletida n’água jogou depressa a tarrafa e só pescou sombra. O herói nem não achou graça porque estava tremendo de mêdo, vai, pra agradecer falou assim:
– Bom-dia, minha vó.”
ANDRADE, Mario de. Macunaíma: o herói sem nenhum caráter. [1928]. São Paulo: Livraria Martins Fontes, 1979, p. 131-2.
II. Fotografia de regata no rio Tietê, década de 1970.

As afirmativas a seguir, a respeito do uso de diferentes fontes de informação para uma aula de história sobre a relação da cidade de São Paulo com o rio Tietê, estão corretas, à exceção de uma. Assinale-a.
- A literatura pode ser utilizada como documento histórico, passível de interpretação e análise, considerando o contexto de produção e a intencionalidade do autor, por exemplo.
- O uso da fotografia como fonte histórica demanda o conhecimento dos meios técnicos de sua produção, para embasar a leitura das informações visuais nela contidas.
- O diálogo entre as fontes permite entender a relação da população de São Paulo com o rio Tietê em diversas temporalidades.
- O processo de interpretação de fontes pelos discentes em sala de aula é análogo ao dos historiadores e contribui para uma iniciação profissional.
- O contato dos estudantes com os dois testemunhos incentiva uma reflexão sobre que lugar o rio Tietê ocupava na vida social da cidade, antes de sua degradação.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A afirmativa é equivocada porque o trabalho com fontes em sala é uma simulação pedagógica, não uma reprodução fiel do fazer histórico profissional.
Alunos podem desenvolver habilidades interpretativas — identificação de autoria, propósito e sentido — mas geralmente sem o nível de investigação exigido pelos historiadores: acesso a arquivos, levantamento de provas, revisão bibliográfica ampla e controle de vieses.
Portanto, embora a prática escolar contribua para uma iniciação às técnicas históricas, ela não é análoga ao trabalho profissional nem substitui a formação metodológica aprofundada, crítica e documental requerida para atuar como historiador.
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